Não será possível voltar ao “normal” depois dos impactos trazidos pela pandemia

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Por Débora Pereira

Acredito que seja humanamente impossível, não sentir que de alguma forma a vida de todos nós mudou em algum nível.

As mudanças, como perda de emprego, aumentos dos preços de recursos básicos, lutos em massa, sensação de insegurança e medo constante, foram estopins para o adoecimento mental. Menciono a pandemia, para exemplificar que foi o que nos forçou a olhar para nós mesmos em níveis psíquicos e comportamentais. A gente se trancou em casa, os ambientes ficaram restritos, tivemos que nos auto observar, observar nossos gestos e sintomas incertos de gripe? Resfriado? Rinite?. Ficamos neuróticos, por tocar um objeto e ficar em dúvida se passou álcool em gel depois que o tocou. A gente teve que se perceber e distinguir, com mais frequência, o que estava sentindo e o que era só imaginação. O problema é que não estamos acostumados a observar as nossas próprias emoções, não fomos ensinados para isso. Em níveis sociais, somos incentivados a forjar sentimentos e sensações. Somos motivados a buscar uma felicidade infinita que não existe e, por isso, adoecemos.

Negar o sofrimento e os fatos, não muda a realidade, é aí que entra a necessidade de cuidar da saúde mental. A gente cuida da nossa mente para aprender a lidar com a nossa realidade e a ter clareza do que fazer para poder transformá-la. É preciso elaborar o agora para agir no depois e se, a sua mente não estiver saudável, o agir fica difícil e turvo, por isso, a sensação de sofrimento só aumenta.

Falar sobre saúde mental, sobre autoconhecimento e autocuidado, não são floreios para uma realidade ruim de aguentar e sim um caminho para obter a melhor decisão a ser tomada, com menos sofrimento.

Sendo assim, esqueça as fórmulas rápidas, os pensamentos mágicos, ou fantasiosos.

Quando se trata de bem estar mental, olhe para si com o olhar da realidade e da simplicidade de que talvez você não saiba o que fazer sozinho, de que talvez você precise de ajuda. Estudos, pesquisas e profissionais para isso, já existem. Tente não fazer parte da avalanche, mas se fizer, busque ajuda.

Débora Pereira

Psicóloga, psicoterapeuta, palestrante e desde 2021 atua como analista de RH no Emprega Comunidades de Paraisópolis.