“Eu amo Paraisópolis, o senso de comunidade aqui é muito forte”, diz Huey

 “Eu amo Paraisópolis, o senso de comunidade aqui é muito forte”, diz Huey

Crédito: Luis Maike

Conheça a história do americano que escolheu viver na favela e sonha em abrir uma escola de idiomas gratuita para atender artistas e crianças da periferia

O americano de 31 anos, Huey Amaru, nascido no estado de Illinois, periferia de Chicago, nos Estados Unidos da América, caminha pelas vielas da segunda maior favela da capital paulista, Paraisópolis, como se fosse cria da comunidade, sempre acompanhado das duas cadelas que adotou como parte da família: “são os amores da minha vida, sem elas eu não aguentaria ficar tanto tempo longe de casa.”

Desde a sua chegada no Brasil, no final de 2019, seus “familiares” mais próximos foram as pessoas que conheceu durante as aulas particulares como professor de inglês e agora, a presença inseparável dos seus pets, que seguem o professor americano viela acima e ladeira abaixo, enquanto cumprimenta os moradores. 

Antes de embarcar de “mala e cuia” para cá, dava aulas na Califórnia para sobreviver. O desejo de pegar seu rumo mundo afora vem desde de cedo. Mas, antes de chegar ao Brasil, passou por alguns lugares como Londres, Itália, República Tcheca, México. 

Huey, se formou na universidade de Columbia em Chicago, mas seu diploma, documento importante para ajudá-lo a conseguir trabalho fora do seu país, ainda não foi liberado pela univerdidades. “Sempre tive o sonho de ir para o Brasil, pensava que quando chegasse aqui, iria para a Bahia, não imaginava vir para São Paulo”, disse o professor. 


Foi “dando um Google”, que Huey encontrou vaga para trabalhar como professor de inglês próximo a uma escola de idiomas na Cohab Adventista, localizada no Capão Redondo, periferia da Zona Sul. A empresa pagava seu aluguel e um valor para ele fazer suas despesas do mês, como parte do salário pelas aulas que dava na unidade do Capão e outras unidades como distrito do Jardim Ângela, também na Zona Sul, e em Santana, na Zona Norte. 


“Quando cheguei aqui em Paraisópolis, não conhecia ninguém, vim em busca de um aluguel mais barato, como todo mundo faz. Hoje sou uma celebridade por aqui, todo mundo me conhece”, brinca Huey. “Eu amo Paraisópolis, o senso de comunidade aqui é muito forte” completa.

O professor americano tem o desejo de trazer sua família para conhecer a favela, inclusive, recentemente recebeu alguns amigos de Miami em sua casa. “Tô muito feliz, é a primeira pessoa depois que cheguei aqui que vem me visitar, tenho muita saudade da minha família, da minha cultura”, disse com alegria.

Apesar da saudade de sua terra natal, Huey não pretende voltar e quer continuar construindo sua vida em Paraisópolis: “meu sonho é abrir uma escola totalmente gratuita, para artistas e crianças da periferia, aprender o inglês não é acessível para todo mundo por conta do preço e quero construir isso, esse é o meu sonho”, finaliza.

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Repórter do jornal Espaço do Povo há 1 ano e apresentadora do programa Saúde Mulher Moderna e Bem Informada no Facebook.

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