Torcidas Organizadas: Paraisópolis expressa sua paixão pelo futebol

Publicado no Espaço do Povo #27 Dezembro por Keli Gois

Captura de Tela 2013-12-27 às 21.30.05Considerado uma paixão nacional, o futebol é um dos esportes que mais mobiliza homens e mulheres para torcer por seus times. Em Paraisópolis, segunda maior comunidade de São Paulo, não é diferente. Em um local onde moram mais de 100 mil pessoas, a paixão pelo futebol é percebida a cada rua, seja pela diversidade de torcedores vestindo a camisa de seus times, pela reunião de muitos deles ao assistir as partidas, ou ainda pelos bares temáticos que existem na comunidade.

Caminhando pelas ruas é fácil ver o quanto os moradores são apaixonados pelo esporte. Além de torcer por seus clubes de coração, alguns torcedores fazem parte de times de futebol da própria comunidade, e chegam até a disputar importantes campeonatos com moradores de outras regiões. “O sonho de todo garoto que mora em Paraisópolis é jogar a “Copa Paraisópolis” no Campo do Palmeirinha. Depois ele pensa em jogar em um time profissional”, explica Guga Brown 32, morador de Paraisópolis e integrante da Torcida Jovem (Do Santos F.C).

Durante as variadas partidas é possível perceber a diversidade de times existentes em Paraisópolis. Corintianos de um lado, Santistas do outro, São Paulinos e Flamenguistas, cada um para o seu lado, ou melhor, para o seu “bar”. Isso mesmo, cada time possui ao menos um bar dentro da comunidade, que funciona como um local de encontro para os torcedores, onde eles reúnem-se quando não estão nos estádios.

Assim como em outros locais, cada um tem o seu modo de torcer. Há os que assistem aos jogos em casa, os que sempre vão ao estádio, e claro, aqueles que não saem do bar do seu time, onde se concentra a maioria dos torcedores, principalmente em dia de clássico.

Em Paraisópolis tem o bar do Flamengo, do Corinthians, do Vasco, e até dos times da comunidade, como o Grêmio União e o Palmeirinha. “Às vezes acontece de outros torcedores quererem assistir aos jogos juntos. Por sermos torcedores também, não temos maldade com o torcedor de outro time. Às vezes começamos a “zoar”, mas relevamos”, explica o torcedor Luciano Xavier, mais conhecido como B.A.

B.A. é apaixonado pelo seu time de coração, o Corinthians. Quem o vê na rua logo percebe essa paixão, que é exprimida nas suas roupas, bonés e até em sua casa, onde encontramos diversos objetos que remetem ao time.

Corintiano fanático, B.A é membro da Fiel Paraisópolis há dois anos e fala com orgulho sobre quando assiste aos jogos com a torcida. “O clima lá no estádio é muito bom, só quem está lá dentro sabe explicar a alegria que é torcer pelo seu time”, conta ele.

Criada há pouco mais de três anos, a Fiel Paraisópolis surgiu pelo sonho de dois moradores de Paraisópolis, apaixonados pelo Corinthians. Composta por aproximadamente 100 membros, a torcida hoje passa por algumas dificuldades por falta de apoio. B.A conta que sempre que podem, dão um jeito e fazem uma “vaquinha” para comprar os ingressos e assistir aos jogos no estádio.

“Queríamos apoio para colocar os garotos para praticar esporte e muitas outras coisas. A estrutura hoje não está tão legal por falta de apoio de instituições para termos o nosso próprio espaço aqui dentro. Queremos levar não só o futebol, como a capoeira, e também ensinar a tocar um instrumento”, explica.

O fato de não ir ao estádio não impede que uma nação de apaixonados por seus times reunam-se nos bares, em casa, ou até mesmo nas ruas para assistir as partidas. “Há um ano nós nos reuníamos e montávamos um telão em frente a minha casa. Cada corintiano que passava parava. Quando você olhava tinha mais de 100 pessoas assistindo, era muito bom. Hoje em dia eu assisto aos jogos num barzinho de colegas, às vezes assisto com o meu amigo”.

O amigo é Jaderson Cândido, 19. Torcedor do Santos desde que nasceu, ele conta que tem muitos amigos de outros times, inclusive, às vezes costuma assistir algumas partidas de times rivais com alguns corintianos e são paulinos. “Não sou muito fanático, mas eu acompanho os jogos. Às vezes até assisto aos jogos com meus amigos corintianos e São Paulinos, e eu “alopro” muito”, comenta Jaderson.

Outro Santista fanático é Guga Brow. Ele declara abertamente o seu amor ao time.”Eu torço para o Santos desde os 10 anos de idade. Fazer parte da torcida organizada é muito bom porque têm muitas coisas que passam na TV e que não é verdade”.

Ele conta que consegue assistir a maioria dos jogos no estádio, mas quando não dá, assiste nos bares da comunidade ou em algum restaurante. Para ele, assistir a um jogo do Santos no bar do flamengo é bem diferente. Como todos são amigos, não há problema. Mas o bom mesmo é ir ao estádio. “Estar no estádio é a melhor sensação do mundo. Você pode gritar junto da torcida. Às vezes você está triste e o cara que está gritando do seu lado te anima”, conta Guga.

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