Conheça os quatro distúrbios do sono que podem estar prejudicando sua saúde

Neurologista explica que o sono é um regulador crucial em todas as idades

Foto Reprodução

Por Natália Longo

Acordar já cansado, ter dificuldade de concentração e se sentir irritado durante o dia são alguns dos sinais que podem indicar mais do que uma noite de sono mal dormida: e sim um distúrbio do sono. Ou seja, uma alteração cerebral, respiratória ou de movimento que impede a capacidade do organismo de dormir como deveria.

Ainda que a parcela das pessoas que procuram por ajuda médica nestes casos seja mínima, cerca de 7%, o Mapa do Sono dos Brasileiros de 2021 revelou que 65% da população tem baixa qualidade de sono. O que indica que distúrbios noturnos são muito comuns no Brasil.

Para a Dra. Natália Longo, neurologista pela Santa Casa de São Paulo e neurofisiologista pelo HCFMUSP, as pessoas ainda não tratam o sono como uma questão de saúde e por isso não buscam ajuda médica, o que é um equívoco. 

“O sono tem um papel fundamental nos processos biológicos do nosso organismo. Mais do que descansar o corpo, ele faz regulações importantes no organismo. Quando uma pessoa não consegue ter um sono profundo de qualidade, processos como imunidade, liberação e equilíbrio de hormônios ficam prejudicados e isso aumenta as chances de ter infarto ou um AVC. E, por isso, é tão importante conhecer mais sobre os distúrbios do sono”, explicou a especialista.

Na Síndrome das Pernas Inquietas, por exemplo, a pessoa sente uma vontade incontrolável de mexer as pernas quando está prestes a dormir ou está dormindo e após movimentar tem uma melhora do incomodo. Existem várias teorias quanto as causas da síndrome das pernas inquietas, porém sabemos que pode estar correlacionado com o estoque de ferro no corpo. 

Outro distúrbio que altera o movimento do corpo durante o sono é o sonambulismo. Isso acontece porque algumas áreas do cérebro são ativadas quando não deveriam ser. Então, o sonâmbulo faz atividades parecendo estar acordado, inclusive com os olhos abertos, mas na verdade está no sono mais profundo e pela manhã não se lembrará de nada do que fez, seja conversar, caminhar, mexer em objetos, entre outros.

“Apesar de todo o misticismo em torno dos sonâmbulos, na maioria dos casos, os sintomas aparecem ainda na infância, geralmente, a partir dos três anos, e desaparecem naturalmente na adolescência. É um distúrbio que na maioria das vezes está presente em outros familiares e requer tratamento para os pacientes que ainda apresentam a condição quando adultos”, explicou.

O oposto de movimentos involuntários acontece quando o distúrbio é a paralisia do sono. Nesta condição, a pessoa não consegue realizar nenhuma mobilidade, nem mesmo falar, alguns momentos após despertar. Ela permanece consciente até recuperar lentamente o controle, a força e a sensibilidade dos músculos, voltando a se movimentar. Não chega a ser considerado um distúrbio grave e o segredo é manter a calma. Mas, caso a situação seja persistente, o melhor é procurar por ajuda médica.

A Dra. Natália Longo ainda explica, que diferente de sono de baixa qualidade, o excesso de sonolência durante o dia é um sinal de que você está apresentando um distúrbio do sono, quando este é de forma incontrolável, uma das causas conhecida é a narcolepsia.

“Neste caso, o distúrbio é uma doença neurológica, em que há tratamento para melhorar os sintomas, mas não tem um tratamento específico para a doença. E como nem toda sonolência é uma doença, o ideal é que um médico seja consultado assim que o paciente perceber que está sentindo sono ou até está caindo na soneca quando e onde não deveria”, finalizou.  

Como sintomas ou sinais dos distúrbios do sono, podemos destacar a dificuldade de pegar no sono à noite, cansaço e sonolência durante o dia, acordar cansado e sem a sensação de ter dormido o suficiente, irritação, dor de cabeça constante, ansiedade e depressão. Ao identificar esses sintomas, opte por procurar um especialista, pois é importante para a saúde manter a qualidade do sono.

Natália Longo

Médica neurologista e neurofisiologista graduada em medicina pela Universidade Federal do Pará. Residência médica de neurologia clínica na Santa Casa de São Paulo. Título de especialista em Neurofisiologia pela Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC). Fellowship no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) em neurofisiologia com ênfase em epilepsia, eletroencefalograma e videoeletroencefalograma.