O Dérbi paulista deste domingo (11) teve um dono absoluto e um retrato cruel. No Nubank Parque, em São Paulo, o Palmeiras atropelou o Corinthians por 4 a 1, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, e transformou o clássico mais equilibrado do futebol paulista em uma tarde de festa alviverde, com direito a gritos de “olé” ecoando nas arquibancadas antes mesmo do apito final.
Alexander Barboza, Agustín Giay (duas vezes) e Matheus Bidu, contra, construíram a goleada. Gustavo Henrique descontou no último lance da partida, quando o placar já não dizia mais nada sobre o que havia acontecido em campo.
Se para o Palmeiras a vitória significou seguir colado na briga pelo título, para o Corinthians ela representou algo bem mais grave: a oitava derrota consecutiva no Brasileirão e a confirmação de que o time mais popular de São Paulo entra nas últimas oito rodadas vivendo um drama real contra o rebaixamento.
Dois argentinos, dois primeiros gols e um Dérbi resolvido em 45 minutos
O Palmeiras não precisou de tempo para impor o ritmo. No primeiro minuto, Flaco López já havia finalizado, para fora, é verdade, mas o recado estava dado. O Corinthians, sem Fernando Diniz no banco e comandado de forma interina por William Batista, tentava se organizar, mas não conseguia trocar passes sob pressão.
Hugo Souza foi o único motivo pelo qual o primeiro tempo não terminou com um placar histórico. O goleiro corintiano fez duas grandes defesas, uma delas em chute rasteiro de Jhon Arias após jogada individual do colombiano, e ainda espalmou uma tentativa colocada de Barboza.
Mas o zagueiro argentino voltaria a aparecer. Aos 16 minutos, em jogada ensaiada de escanteio, Lucas Evangelista cobrou curto, recebeu de volta e cruzou na cabeça de Barboza, que subiu mais alto que toda a defesa e marcou seu primeiro gol com a camisa alviverde.
O segundo saiu nos acréscimos, e foi um gol de desenho tático. A bola passou por Vitor Roque e Arias antes de chegar a Giay, que bateu de primeira. O lateral-direito argentino, de 22 anos, precisou de 98 jogos para marcar seu primeiro gol pelo Palmeiras, em setembro, contra a LDU, pela Libertadores, e escolheu o Dérbi para lembrar que chegou à área com apetite.
A pane, o gol contra bizarro e a goleada em seis minutos
O segundo tempo mal havia começado e o Corinthians já havia se desmontado. Aos dois minutos, Matheus Bidu subiu para disputar uma bola com Raniele, se atrapalhou no lance e mandou para a própria rede, sem qualquer pressão de um adversário alviverde. Foi o tipo de gol contra que não se explica com esquema tático, apenas com abalo emocional.
Quatro minutos depois, a goleada estava desenhada. Arias recebeu dentro da área, bateu rasteiro, Hugo Souza espalmou no chão e a bola sobrou na pequena área para Giay completar para o fundo do gol. Dois gols dele, um em cada tempo, no melhor momento de sua passagem pelo clube.
A partir do quarto gol, o Nubank Parque virou palco. O Palmeiras passou a trocar passes com a torcida em êxtase, e o “olé” tomou conta do estádio em cada toque. Do outro lado, o Corinthians assistia, apático, desorganizado e cada vez mais distante da própria identidade.
Paulinho volta, sofre pênalti e para em Hugo Souza
A tarde também marcou o retorno de Paulinho aos gramados depois de mais de dois meses lesionado. O camisa 10 entrou no lugar de Ramón Sosa, que sentiu pouco depois de ter sido acionado, e na primeira jogada que protagonizou sofreu pênalti de Raniele.
Paulinho assumiu a cobrança, bateu fraco, e Hugo Souza encaixou sem dificuldade. O goleiro corintiano saiu do clássico com a certeza de ter feito o possível dentro de um time que não funcionou em nenhum setor.
No último lance do jogo, Gustavo Henrique subiu bem em escanteio e marcou o gol de honra corintiano. O 4 a 1 final, no entanto, é generoso com o Corinthians: o placar poderia ter sido bem mais largo.
O que a vitória muda para o Palmeiras
O Palmeiras chegou a 63 pontos e segue na segunda colocação, a um ponto do líder Flamengo, que também venceu na rodada, 1 a 0 sobre o Fluminense, no Fla-Flu. A corrida pelo título brasileiro entra na reta final como uma disputa particular entre os dois clubes.
Mas o calendário alviverde não perdoa. A equipe de Abel Ferreira agora vira a chave para a semifinal da Libertadores: na quarta-feira (14), o Palmeiras encara o Fluminense no jogo de ida, fora de casa. Ou seja, o time precisa lidar simultaneamente com a briga pelo Brasileirão e com a chance de voltar a uma final continental.
A profundidade do elenco, exatamente o que a torcida cobrava meses atrás, será testada nos próximos dias. A goleada no Dérbi, além dos três pontos, deu a Abel Ferreira algo igualmente valioso: a certeza de que pode rodar o time sem perder poder de fogo.
O que a derrota significa para o Corinthians
O Corinthians é o 16º colocado, com 32 pontos, e só não entrou na zona de rebaixamento porque o clássico Gre-Nal terminou empatado, o que manteve o Grêmio atrás na tabela. Foi o empate alheio, não o próprio futebol, que segurou o Timão fora do Z-4.
Os números da crise são pesados. A equipe perdeu as últimas oito partidas no Brasileirão, sequência que começou em agosto, com o tropeço diante do Coritiba, e que já havia custado o emprego de Fernando Diniz após a derrota de 2 a 1 para o Internacional, no Beira-Rio. William Batista, técnico do Sub-20, assumiu interinamente e teve no Dérbi a primeira — e bastante cruel — experiência à frente do time profissional.
Em campo, Memphis Depay foi o retrato do desarranjo: pouco participativo, displicente em alguns lances e amarelado. Yuri Alberto tentou de longe, obrigando Carlos Miguel a trabalhar pela primeira vez apenas no segundo tempo, mas o Corinthians só conseguiu existir ofensivamente nos minutos finais, quando o jogo já estava decidido.
O alívio é que o calendário dá ao Timão uma semana inteira de trabalho. A equipe volta a campo na segunda-feira (19), quando recebe o Vitória, na Neo Química Arena. Vai ser, sem exagero, o jogo mais importante da temporada até aqui.
Ficha técnica
PALMEIRAS 4 x 1 CORINTHIANS Competição: 30ª rodada do Campeonato Brasileiro Local: Nubank Parque, São Paulo (SP) Data e hora: domingo, 11 de outubro de 2026, às 17h30 (de Brasília) Árbitro: Anderson Daronco Assistentes: Alex Ang Ribeiro e Rafael da Silva Alves VAR: Rodolpho Toski Marques
Gols: Barboza (16’/1ºT) e Giay (45’/1ºT e 5’/2ºT), Bidu (contra, 1’/2ºT) — PAL; Gustavo Henrique (45’/2ºT) — COR Cartões amarelos: Jhon Arias, Giay e Gustavo Gómez (PAL); Raniele, Memphis, Matheuzinho, Gabriel Paulista e Vitinho (COR)
PALMEIRAS (técnico: Abel Ferreira): Carlos Miguel; Giay, Barboza, Gustavo Gómez (Bruno Fuchs) e Murilo; Piquerez, Andreas Pereira, Lucas Evangelista (Emiliano Martínez) e Jhon Arias; Vitor Roque (Ramón Sosa) (Paulinho) e Flaco López (Maurício).
CORINTHIANS (técnico interino: William Batista): Hugo Souza; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele (Dieguinho), André (André Ramalho), Carrillo (Allan) e Breno Bidon (Vitinho); Memphis Depay e Yuri Alberto (Pedro Raul).