Cada vez mais, mulheres de Paraisópolis ocupam o papel de chefe de família

O que antigamente era inaceitável, hoje já é bastante comum. Ter uma mulher no papel de chefe de família já é realidade em muitos lares brasileiros. Além de esposas, excelentes mães e dedicadas donas de casa, as mulheres também são empresárias, estudantes e responsáveis pelo sustento de seus lares, conforme mostra pesquisa do Data Popular, que revela que 38% dos lares são chefiados por mulheres.

Espaço do Povo 30

aimagem mulher.fwO que antigamente era inaceitável, hoje já é bastante comum. Ter uma mulher no papel de chefe de família já é realidade em muitos lares brasileiros. Além de esposas, excelentes mães e dedicadas donas de casa, as mulheres também são empresárias, estudantes e responsáveis pelo sustento de seus lares, conforme mostra pesquisa do Data Popular, que revela que 38% dos lares são chefiados por mulheres.

Tarefa nada fácil, além de trabalhar o dia todo fora, quando chegam em casa, muitas mulheres têm que cuidar dos afazeres domésticos e dar atenção aos filhos, como é o caso de Bruna Thomaz, 27. Pagando aluguel e tendo que sustentar sua filha de quatro anos, ela tem uma jornada tripla, trabalha como assistente administrativa, é orientadora em um curso de qualificação profissional e cuida do lar. “Me viro como posso para ver o bem da minha filha, ser mãe é isso”, comenta ela.

A auxiliar de limpeza Eliane Maria, 35, é mãe de dois adolescentes. Divorciada há três anos, ela conta que sempre trabalhou para ajudar com as despesas da casa. Hoje, ela recebe pensão do marido, mas o principal meio de sustento vem do seu trabalho.

Um outro exemplo de “mãe de família” que se desdobra para sustentar o lar é o de Marineide Santos, 45. Com o marido preso há nove anos, ela conta que sua vida não é fácil, mas o sonho de conquistar a casa própria e dar educação de qualidade aos filhos é o que a impulsiona todos os dias.

“Meu marido está preso há 9 anos. No começo foi muito difícil. Quando você casa, você quer ter uma família, para que você se sinta segura e protegida, e esse não foi o meu caso, eu praticamente criei os meus filhos sozinha”, contou.

Para pagar o aluguel, as contas e sustentar os filhos, a saída é trabalhar em dose dupla. À noite, trabalha como cuidadora de idosos, e quem pensa que ela tem moleza quando chega em casa está enganado, pois tem, além dos filhos, mais 16 crianças para cuidar. “Tenho que pagar aluguel e manter meus filhos. Então, além de ser cuidadora de dois idosos durante à noite, cuido de crianças durante o dia”, explicou.

Mesmo diante de todas as dificuldades, Neide, como é conhecida pelos vizinhos, usa o exemplo do marido para educar os filhos. “Meus filhos são tudo o que eu tenho. É por isso que eu trabalho tanto. Para não vê-los chegar ao ponto que o pai chegou, e não viver a vida que eu vivi”, desabafou.

Para ela, o melhor caminho para uma boa educação e para afastar os filhos das drogas e da violência é sempre a verdade. “A gente tem que estar sempre com a verdade. Dou o exemplo de que o que o pai passa é ruim. Eu sempre tento passar pra eles aquilo que meus pais me ensinaram. Nunca deixei meus filhos desistirem da escola, quero que eles trabalhem, estudem e façam cursos”, contou.

Como muitas mulheres de Paraisópolis, Neide sonha com a casa própria, que assim como todas as barreiras que ela enfrenta e já enfrentou, será superada. “Nós, que somos mulheres e que queremos melhorar não podemos desistir. Temos que ir à luta. Pelo fato de eu criar meus filhos sozinha, eu me sinto uma vencedora”, concluiu.

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