Vala no meio da rua e viela alagada são alguns dos problemas da Melchior Giola

Vala foi alargada pela prefeitura e até o momento não foi apontada nenhuma solução para os moradores (Foto: Francisca Rodrigues)

Por Francisca Rodrigues
Vala aberta pelos moradores para escoar a água (Foto: Francisca Rodrigues)
Vala aberta pelos moradores para escoar a água (Foto: Francisca Rodrigues)

Quem passa pela Rua Melchior Giola, próximo a viela Mário Covas, logo se depara com uma vala no local. Cansados dos alagamentos constantes na região, os moradores abriram a vala no meio da rua para que a água que passa pela tubulação pudesse escoar e assim evitar que as casas ficassem totalmente alagadas, devido as chuvas de verão.  Há mais de dois meses a rua está interditada e os transtornos não param por aí.

 O comerciante José Milton Pereira, 49,  afirma que, desde quando abriu seu comercio na rua Melchior Giola, há 5 anos, não tinha enfrentado tantos problemas como nos últimos dois anos. Isso porque, de acordo com ele, toda vez que chove  tem que sair as pressas do restaurante e tirar o carro dele rapidamente do local, pois os alagamentos na região são constantes. Quando a chuva passa o comerciante tem que voltar para retirar a água que entra no estabelecimento. Nesse vai e vem, José já perdeu a paciência e a noção do prejuízo.

No dia 11 de fevereiro uma equipe da prefeitura esteve no local para realizar obra de conservação de galeria (Foto: Francisca)
No dia 11 de fevereiro uma equipe da prefeitura esteve no local para realizar obra de conservação de galeria (Foto: Francisca)

Quem também está tendo prejuízo  é a confeiteira  Marizete Silva. Ela  relata que o movimento caiu na sua loja de bolos e já perdeu muitas vendas porque os clientes que vêm de outros bairros e desconhecem a região evitam ir até o estabelecimento. “Temos casos de pessoas que não vêm porque o carro não passa”. A loja da Marizete fica no inicio da Rua Melchior Giola, no trecho que dá acesso à Av. Giovanni Gronchi. “Até pra gente que conhece outras alternativas temos dificuldade na hora que chegamos com mercadorias”, comenta

Alguns moradores também relataram  que vários carros já caíram na vala. Por este motivo, vez e outra,  é possível ver um móvel ou eletrodoméstico velho, como uma espécie de barreira, na rua para alertar os desavisados que o local está interditado.

No início de janeiro, lideranças de Paraisópolis estiveram na Melchior Giola  acompanhadas de equipes da prefeitura para analisar a situação da tubulação de esgoto.   Foi apontada uma solução provisória de colocar chapas de metal  para que pelo menos o trânsito pudesse fluir na área. Desde quando a vala foi aberta a linha 7040/P Paraisópolis X Pinheiros mudou o itinerário, prejudicando os moradores que dependem do transporte público e  têm dificuldades para se deslocarem até a Avenida Hebe Camargo, já que a falta de mobilidade é mais um dos problemas na comunidade.

Vala foi alargada pela prefeitura e até o momento não foi apontada nenhuma solução para os moradores (Foto: Francisca Rodrigues)
Vala foi alargada pela prefeitura e até o momento não foi apontada nenhuma solução para os moradores (Foto: Francisca Rodrigues)

 Isaac Bezerra, um dos diretores da União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis (UMCP), explica que  é de responsabilidade da prefeitura fazer a obra na região e que  “o problema se inicia a partir do momento em que a prefeitura não fez a obra de canalização do córrego Antonico”, previsto no programa de urbanização .

Isaac afirma, ainda, que esteve no local com os representantes da prefeitura e que foi informado, pelo técnico responsável, que dutos de empresas de telefonia, energia e gás se encontram no local e por isso seria necessário que as empresas responsáveis estivessem  presentes para melhor avaliação.

 “A gente não tem comprovação ainda se realmente existem todos esses dutos, principalmente o de gás, pois eu nunca ouvi falar sobre isso aqui. Inclusive, os moradores de lá disseram que nunca foi instalada tubulação de gás.  Estas empresas terão que vir todas ao mesmo tempo pra poder fazer a obra”.

 Muitos moradores têm entrado em contato com a união em busca de uma resolução para a rua Melchior Giola. “ A gente tem sido muito procurado pelos moradores. Estamos encaminhando as reclamações, mas dependemos das empresas públicas para prestarem os serviços. A união irá entrar em contato para marcar uma agenda para que a situação seja resolvida imediatamente” explicou Isaac. Ele  afirmou que a união também abriu reclamação junto a prefeitura e está aguardando resposta.

O presidente da União, Gilson Rodrigues, afirma que a entidade  tem cobrado constantemente a retomada das obras de urbanização na comunidade e, principalmente, na região do Antonico, onde centenas de famílias estão vivendo em área de risco. “O prefeito Haddad se comprometeu a retomar a obra do córrego Antonico e não cumpriu. Estamos cansados de tantas promessas e nenhuma ação que possa, de fato, mudar a situação da comunidade”.

Moradores ficam ilhados na viela Mário Covas

O segurança Gilmar e a família não pode sair ou entrar em casa quando chove (Foto: Francisca Rodrigues)
O segurança Gilmar e a família não pode sair ou entrar em casa quando chove (Foto: Francisca Rodrigues)

Basta o tempo fechar para que os moradores da viela Mário Covas, localizada na Rua Melchior Giola,  fiquem apavorados. Isso porque toda vez que chove é a mesma situação: a viela alaga totalmente, impedindo o acesso de quem mora no local.  O drama acontece devido ao transbordamento do   córrego Antonico, que  corta boa parte da comunidade. Os moradores também têm que conviver com o  cheiro insuportável de esgoto diariamente.

O Segurança Gilmar de Oliveira, 40, mora na viela Mário Covas há 12 anos. Em 2012, a casa foi removida para que a obra do córrego Antonico fosse realizada. Alguns anos depois, outros barracos foram construídos no local em cima do córrego e  Gilmar continua morando de aluguel na mesma viela. Ele reclama que  há cinco meses não recebe o beneficio pago pela prefeitura para os moradores que foram removidos da região.

 Gilmar paga R$ 400 de aluguel, valor pago pela prefeitura, em uma casa de dois cômodos. A quantia é até considerada baixa em comparação com outros imóveis na comunidade, porém a família do Gilmar não está em vantagem, pois toda vez que chove ninguém pode entrar ou sair da residência. Ele mesmo já deixou de ir ao trabalho porque não podia sair de casa. E, muitas vezes não pode levar ou buscar a filha na escola quando chove.

 O segurança e a esposa trabalham e, de acordo com ele, o salário do casal dá para pagar o aluguel, assim não correm o risco de serem despejados, mas esta não é a realidade de muitos que dependem do auxilio aluguel.

 

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