¿Hablas español?

Conhecida como a segunda maior comunidade de São Paulo, Paraisópolis abriga pessoas de diversas regiões, inclusive de outros países da América do Sul

 

Encontrar um morador cujo idioma não é a língua portuguesa é muito comum, em especial pessoas que falam espanhol.  Argentinos, colombianos, bolivianos, uruguaios e peruanos formam um grupo de latinos que instalaram-se neste 1km² de terra, que abriga mais de 100 mil habitantes, em busca de novas oportunidades. 

 

A colombiana Nubia e o namorado Fernando  (Foto: Francisca Rodrigue)
A colombiana Nubia e o namorado Fernando
(Foto: Francisca Rodrigue)

Em uma sorveteria na Rua Ernest Renan, a colombiana Nubia Mina, 33, se delicia com um sorvete de creme. Acompanhada  do namorado, o brasileiro Fernando Bezerra da Silva, 25, Nubia explica que está em Paraisópolis há um ano e cinco meses. Ela faz parte do grupo de amigas, todas da cidade de Cali, que vieram em busca de oportunidade de trabalho e deixaram a família para trás. Nubia chegou aqui com emprego garantido na casa de uma família também colombiana, mas, atualmente, está desempregada.

 

Como qualquer outro estrangeiro que sai de seu país de origem e vai para um  lugar em que não conhece a língua, enfrentar dificuldades é natural, principalmente quando não compreende o idioma. 

 

Rubi deixou os filhos em Cali, na Colômbia, em busca de oportunidade (Foto: Francisca Rodrigues)
Rubi deixou os filhos em Cali, na Colômbia, em busca de oportunidade (Foto: Francisca Rodrigues)

Sem saber falar uma só palavra em português, a simpática Lefarubi Mosquera veio para o Brasil  “a provar suerte”, ou seja, “tentar sorte” com mais duas  amigas. Há dois anos deixou os três filhos na cidade de Cali, na Colômbia, em busca de proporcionar melhor qualidade de vida a eles. Rubi, como é conhecida, trabalha como empregada doméstica na casa de uma família colombiana. Segundo ela, a convivência com pessoas que não falam português dificulta o aprendizado da língua. “O pouquinho que sei é porque, vez ou outra, estou com pessoas que falam português.”

 

Na agência de empregos comunitária de Paraisópolis, de vez em quando aparece algum estrangeiro em busca de trabalho. A peruana Alisson Jessica Jorquiera Chinguel, 20, espera encontrar um emprego para poder ajudar o esposo nas despesas, como o aluguel dos dois cômodos onde  mora, a creche do filho de um ano, despesas de água, luz e compra do mês. Ela afirma que o dinheiro que o marido recebe não é o suficiente e não sobra, por isso não comprou a tão sonhada geladeira. “Queremos comprar uma geladeira e não dá. Não tenho geladeira e o leite do menino estraga”, lamenta.

Allison veio do Peru há seis meses (Foto: Francisca Rodrigues)
Allison veio do Peru há seis meses
(Foto: Francisca Rodrigues)

Nascida em Lima, Alisson chegou no Brasil em março deste ano. O esposo veio três meses depois e já está empregado em uma marcenaria na comunidade. Embora esteja há pouco tempo no país, não tem dificuldades para falar o idioma.  Ela explica que aprendeu com parentes que moram no Brasil há muitos anos. “Eu falava com minha família, que já morava aqui. Perguntava qual era o significado de cada palavra”, relembra.

Cerca de 12 pessoas da família de Alisson moram em Paraisópolis entre tios, primos, irmã, cunhado e sobrinhos. Até o pai chegou a vir, mas como não teve muita sorte em encontrar um emprego acabou retornando para o Peru. “Meu pai também veio para cá, mas ele só ficou nove meses. Ele voltou porque aqui não tinha trabalho para ele.” 

Embora não tenha conseguido emprego, o pai de Alisson a aconselhou vir para o Brasil porque ele achava que aqui seria mais fácil para ela. “Ele me falou que eu teria oportunidade para trabalhar aqui”. Ela explica que no Peru se uma mulher não tem ensino superior o máximo que ela pode conseguir é um trabalho como empregada doméstica para ganhar S/. 300 soles (moeda peruana) por mês, equivalente a  R$ 256. Com esse valor não dá para pagar a faculdade de gastronomia que Alisson pretende fazer no Peru. 

Apreciadora da culinária peruana, Allisson pretende juntar  dinheiro e voltar para o Peru para estudar gastronomia. “Vou voltar para estudar gastronomia peruana. Depois quero voltar para o Brasil . Quero fazer um restaurante peruano aqui em Paraisópolis”, finaliza.

 

 

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Jornalista, produtora cultural, diretora de comunicação da Cria Brasil, agência de comunicação de território de favela que surgiu com o compromisso de gerar impacto social positivo nas comunidades do país.

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