Sustentabilidade em Paraisópolis, é assim que é feita.

Distante da mídia e longe dos discursos bem elaborados, três moradores de Paraisópolis mostram na prática como deve ser encarado o tema “sustentabilidade”

Enquanto os ambientalistas fazem discusos difíceis de serem compreendidos e os governos não sabem como resolver a questão da sustentabilidade verso crescimento econômico, os catadores que pouco entende de tudo isso e menos ainda do que se trata a Rio + 20 fazem a parte deles, e bem feita. Sobem e descem as ruas com as suas carroças lotadas de garrafas pets, aluminio, ferro, plástico e tudo aquilo que foi jogado como algo que não se usa mais.

Esses sim fazem parte do mundo real, lembrado pela presidente Dilma Rousseff, ao criticar a fantasia na qual vivem ambientalistas que defendem medidas que segundo elas são impraticáveis em um mundo no qual as pessoas precisam saber se terão comida e se haverá energia elétrica.

Paraisópolis possui alguns depósitos de produtos recicláveis – ferros-velhos – e para um deles descia o senhor Erminio Custódio dos Santos, de 64 anos, com o seu carrinho cheio de material que foi descartado pelos moradores. “Aqui tem uns 30 reais” disse ele que é catador desde 1976. E com um sorriso estampado, aos poucos foi relatando a sua satisfação. “olha aqui”, disse ele tirando do bolso um aparelho de celular, logo em seguida comentou que havia comprado um aparelho de televisão por 3 mil reais e que faltava a última prestação.“ Na minha casa temos um carro na garagem, tenho duas bicicletas novas”, acrescentou o homem que garante no final do mês uma renda de 900 reais.

E lá vai ele, suas manobras não são nada fáceis, mas aos poucos chega onde quer, no depósito de reciclagem do Alberto, e os seus olhos não o enganaram ao avaliar a mercadoria, a balança confirma 32 reais. Ele explica que o aluminio é o que é mais caro, são 2 reais o quilo,os demais valem 20 centavos. Com o dinheiro no bolso, senhor Erminio segue na sua busca pelas ruas da comunidade, antes porem, explicou que prefere trabalhar nos dias de sol. “ Eu fico mais animado no calor”, afirmou.

O dono do depósito onde o senhor Erminio descarrega diariamente o que recolhe, é um homem jovem que aprendeu desde criança que,o que é lixo para alguns pode ser transformado em lucro para outros. “ Eu só tinha 8 anos quando ia buscar nos lixões garrafas para conseguir dinheiro para comprar bala”, disse Alberto Henrique que atualmente participa da economia sustentável sem nunca ter estudado o tema. Seu negócio gera mensalmente 20 mil reais, das despesas sobram 3.000.“Eu estou feliz, não trabalho para ninguém, jogo minha bola, pago as minhas contas”, disse ele que esqueceu de acrescentar que além de garantir a sua independência financeira também auxilia na renda de muitos carroceiros que levam até o seu depósito 30 toneladas de produtos recicláveis por mês.

Não muito longe dali, na rua Iratinga, outro dono de depósito comemora o sucesso do seu negócio, Francisco Souza Batista, que recolhe os produtos com um carro. Não recebo mercadoria dos carroceiros, as pessoas ligam pra mim e vou lá e recolho”, afirmou.

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