Rugby Para Todos completa dez anos em Paraisópolis

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Por Francisca Rodrigues para o Jornal Espaço do Povo #33

Quando Maurício Draghi e Fabrício Kobashi decidiram ensinar rúgbi na comunidade de Paraisópolis em 2004, não tinham ideia do quanto iriam mudar a realidade de muitas crianças. Prestes a completar dez anos, hoje, o Instituto Rugby Para Todos (IRPT), fundado pelos atletas, é um modelo de ação eficiente e tem atraído cada vez mais admiradores.

Colegas no time de rúgbi do Pasteur Athletique Club desde os anos 90, após dois anos sem se ver os amigos se reencontraram com a mesma ideia, fazer trabalho voluntário. O local foi definido e o projeto colocado em ação e após várias tentativas de falar com o presidente da Associação Palmeirinha, entidade que administra o campo onde são realizadas as aulas em Paraisópolis, descobriram que o inspetor do colégio em que estudavam, seu Chiquinho, era o responsável pelo local, o que facilitou a implantação do projeto na comunidade.

“Ele abriu as portas do campo e falou que poderíamos usá-lo. Nos apresentou sua esposa, que trabalhava em uma das escolas como coordenadora. Ela nos ajudou a a falar com as escolas e começamos a divulgar”, explica Fabrício.

Dois meses depois, em agosto de 2004, o mesmo campinho, ainda de terra, começava a reunir os primeiros adolescentes interessados no esporte. No primeiro dia de aula os atletas receberam mais de 100 crianças querendo aprender rúgbi, mas era somente os dois para ensinar, então dividiram os grupos. “Fazíamos duas aulas na sequência de terça e quinta. Na quarta era o dia dos pequenos, então eram três dias por semana. Terça e quinta a gente ficava com as meninas e com os meninos pequenos. Quando acabava a gente dava treino para os maiores”, relembra.

No início do projeto os atletas enfrentaram muitas dificuldades, mas com ajuda de amigos, vizinhos e parceiros, conseguiram montar uma estrutura que atendessem a criançada. Aos poucos, os atletas montaram o modelo que hoje, pode-se dizer, é referência , os alunos são bem atendidos, têm uniforme, lanche, acompanhamento pedagógico, psicológico, médico e escolar.

“A gente começou a fazer na raça mesmo. Começamos a ter alguns voluntários, pessoas que ficaram sabendo, amigos que jogam no nosso clube e em outros clubes também em São Paulo e que queriam ajudar a dar aula”.

O IRPT oferece muito mais do que o esporte, ensina a crianças e jovens valores importantes como respeito, união, caráter e disciplina, além disso, têm acompanhamento com psicólogos. “Os psicólogos fazem um acompanhamento individual, eles realmente conhecem cada aluno. Nós temos cinco psicólogos ao todo e eles acompanham cada turma e cada aluno”.

O esporte de origem inglesa, segundo mais popular do mundo (perde apenas para o futebol), não é mais nenhuma novidade para os jovens de Paraisópolis. Inicialmente pouco conhecido na comunidade, hoje lança novos atletas que ganham destaque e sonham em se tornar grandes jogadores de rúgbi.

David Martins Pereira Prates começou a treinar no campo do Palmeirinha, transformou-se em instrutor do projeto, obteve uma bolsa para cursar educação física e hoje defende a seleção brasileira na modalidade. A bola oval mudou a vida de David e de outros atletas como Bianca Santos e Gilmar Almeida, que também se destacam cada vez mais no esporte.

O projeto Rugby para Todos, responsável pelo times Leões e Leoas de Paraisópolis, beneficia 200 crianças e adolescentes de 7 a 17 anos. Oferece três aulas por semana, sob a orientação de vinte profissionais, entre técnicos, psicólogos e pedagogos.

Nos últimos anos, o IRPT recebeu grandes nomes do esporte como Waisale Serevi, considerado o rei do rúgbi, All Blacks, melhor time da modalidade, Ben Gollings (Inglaterra), Santiago Gomez Cora (Argentina), Corey Payne, do Rugby League Australiano, entre outros.

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