Prato vazio: A fome ainda é a realidade de muitos brasileiros

Marmitas solidárias entregues por iniciativas sociais, tem sido a salvação de quem não tem nada para comer no dia a dia

Foto: Agência Cria Brasil

Por Talytha Cardoso

A realidade da fome na vida de muita gente tem avançado cada vez mais rápido em território nacional. Um estudo realizado do 2 º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, feito pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSAM), em novembro do ano passado até abril deste ano, apontou que cerca de 33,1 milhões de pessoas não têm o que comer. O estudo revelou que dobrou a quantidade de pessoas em situação de extrema miséria, a ponto de não ter o que comer, em 2020, representando hoje, 14 milhões de pessoas a mais.

Apesar da vida parecer estar voltando ao novo normal para alguns, para outros nem de longe parece que as coisas devem melhorar. A realidade do desemprego leva os brasileiros para o mercado informal, criando novos profissionais autônomos, não por desejo de empreender, mas como uma fuga para esconder uma necessidade; a falta do pão na mesa.

Os itens básicos como arroz e feijão têm sido escasso na panela de muita gente. Antes mesmo da pandemia chegar já havia um cenário caótico em relação a segurança alimentar no país, e teve um aumento significativo no pico da pandemia e ainda é um fantasma no prato de muitos brasileiros.

Claudia Cristina do Nascimento, 42, é pernambucana e veio para São Paulo para trabalhar e poder sustentar a filha adolescente, que hoje mora com parentes em Recife, Pernambuco. Ela mora na segunda maior favela da capital paulista, Paraisópolis, e faz da fila das marmitas solidárias, no Pavilhão Social do G10 Favelas, uma das opções em dias que não consegue nenhum trocado para comprar alimentos para casa, a única fonte de alimentação do dia. Desde que ficou desempregada, e sem ter serviços nas casas em que fazia faxinas, devido ao isolamento e medidas de distanciamento, ficou sem nenhum recurso financeiro fixo para se sustentar.

As marmitas distribuídas diariamente, que Claudia vai buscar no Pavilhão Social do G10 Favela, têm sido o amparo para que ela possa ter o que se alimentar todos os dias, até conseguir se recolocar no mercado de trabalho. As doações solidárias, fazem parte da iniciativa do bloco de líderes e empreendedores de impacto social nas favelas do Brasil – G10 Favelas, atuante de forma incisiva desde 2019, fazendo dessas ações de doações uma das formas de mitigar as consequências oriundas do período mais crítico da pandemia da covid-19. Sendo essa uma das alternativas para atender as demandas como a falta de alimentos para os moradores da favela, que são e foram os mais afetados pela falta de apoio do poder público.

No pico da doença foram distribuídas mais de 2 milhões de marmitas, feitas pela iniciativa Mãos de Maria. As doações foram possíveis devido a ajuda e colaboração de parceiros e pessoas anônimas que ajudaram a causa, e ajudaram a minimizar a fome de muita gente. Mas, infelizmente, a fila só aumenta a cada dia e as poucas doações que chegam não têm sido suficientes para dar de comer a tanta gente.

A iniciativa está aberta para receber doações, quem quiser ajudar pode acessar o site da instituição: www.g10favelas.com.br