“Paraisópolis é um bairro muito bom, gosto muito daqui. Formei minha vida e estou aqui até hoje”

Juraci Rodrigues, morador da comunidade de Paraisópolis há mais de 60 anos

Era mato! Não tinha uma cidade, era uma fazenda. Tinha criação de boi, cavalo, carneiro, cabrito e muita criação de porco. E quem comandava isso aqui era um homem chamado Lucas Chaim , era dono do loteamento. 

 

Nós éramos nove moradores aqui. Isso foi de 1961 para 1962. Em Paraisópolis não tinha condução, eu fui muitas vezes para Pinheiros a pé, porque não tinha transporte aqui. O primeiro ônibus que começou a vir, passava ali no campo do São Paulo (estádio), subia para Vila Nossa, no ônibus da CMTC, isso há anos.  

 

Aí começou a vir gente e as pessoas começaram a fazer os barraquinhos. Veio muita gente de Pernambuco, Ceará, Bahia, Sergipe. Foram vindo e fazendo suas casas, e virou essa cidade que vocês podem ver hoje.

 

As maiores mudanças foram abrir as ruas e asfaltar, e  aí foi indo e virando a Paraisópolis que é hoje. Minha casa foi a primeira a ter luz e água, comprei o poste. Naquela época, quase não tinha casa, então você tinha que pagar para ter água, e eu paguei os canos. 

 

Ali na frente da minha casa está o terminal do cano da Sabesp, que desce a rua, que era a antiga Santo Antônio, hoje Major José Marioto Ferreira. Por aqui tem muita lembrança, era uma fazenda com muita criação de gado, curral de tirar leite . 

 

Subindo a rua tinha um homem chamado Dário, ele tinha vacas leiteiras e a minha segunda filha ia buscar leite e dizia: “Seu Dário, me dá  cinco litros de leite!”. Ele tirava na hora e não me cobrava, me dava de presente, era amigo, muito meu amigo. 

 

Paraisópolis é um bairro muito bom, gosto muito daqui. Formei minha vida e estou aqui até hoje.

 

Memórias de Paraisópolis 

Lançado em julho de 2015 pelo diretor de comunicação da Agência Cria Brasil, Joildo Santos, ‘Memórias de Paraisópolis’ visa criar um centro de memórias da comunidade, fazendo um recorte da história da segunda maior favela de São Paulo a partir de relatos dos moradores mais antigos.