Paraisópolis das Artes: Roteiro revela o orgulho da comunidade

O cenário é de grande efervescência cultural, reunindo ateliês de arte, espaços para prática de dança, música e teatro. Não estamos falando de bairros boêmios como a Vila Madalena, na Zona Oeste, nem da cidade de Embu das Artes, na região metropolitana. Estamos em Paraisópolis, a maior favela paulistana que se ergueu junto ao bairro do Morumbi, na Zona Oeste, e hoje tem mais de 100 mil moradores.

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Publicado no Diário de São Paulo 06/10/2013

1381012747para_2370x211Diferentemente do modelo carioca, Paraisópolis promove mergulho na vida inteligente da comunidade de SP

Por Fernando Granato

O cenário é de grande efervescência cultural, reunindo ateliês de arte, espaços para prática de dança, música e teatro. Não estamos falando de bairros boêmios como a Vila Madalena, na Zona Oeste, nem da cidade de Embu das Artes, na região metropolitana. O DIÁRIO está em Paraisópolis, a maior favela paulistana que se ergueu junto ao bairro do Morumbi, na Zona Oeste, e hoje tem mais de 100 mil moradores, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Para mostrar a vida pulsante e os tesouros escondidos em suas vielas, a UMCP (União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis) desenvolveu um roteiro turístico que pretende acabar com o mito de que favela é um lugar marginal.

“Aqui é um celeiro de cultura e com esse roteiro turístico pretendemos contar uma história de superação, de como uma favela virou um bairro cheio de coisas boas para revelar”, afirmou Gilson Rodrigues, presidente da UMCP e um dos responsáveis pela iniciativa. “Existem muitos mitos sobre a vida de quem mora e trabalha em uma comunidade. Assim como tantas outras localidades de São Paulo, Paraisópolis tem muita coisa boa para mostrar.”

O passeio, aberto ao público em geral, custa R$ 150 e a maior parte desse dinheiro fica para comunidade. Lançado há pouco menos de um mês, o roteiro tem atraído grupos de turistas, a maioria estrangeiros, e especialmente estudantes de arquitetura, interessados nas soluções urbanísticas adotadas em suas ruas e construções.

O guia turístico Higo Carvalho, escolhido entre os moradores da própria comunidade, mostra orgulho com os primeiros resultados do projeto, batizado “Paraisópolis das Artes”. “As pessoas ficam encantadas quando transpõem o muro invisível que separa a realidade dos mais de 100 mil moradores da comunidade daqueles que desconhecem os nossos tesouros escondidos.”

Os visitantes podem ver o processo de urbanização do local. Na Avenida Perimetral, chamada pelos moradores de “Avenida Paulista de Paraisópolis”, estão os prédios da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano). Serão 3,6 mil unidades. Desse total, 1,2 mil já foram entregues. Iniciada em 2005 pela Prefeitura, a urbanização valorizou os imóveis em até 500%. Casas que valiam R$ 20 mil hoje custam R$ 120 mil.

Vida pulsante para mostrar

Veja os projetos e expressões artísticas apresentados aos visitantes em Paraisópolis

Orquestra – Depois de conhecer o balé, os visitantes vão à Orquestra Filarmônica de Paraisópolis, regida pelo maestro Paulo Rydlewski. A orquestra tem 128 alunos e 40 no corpo de apresentação. Uma delas é Gabriela Araújo, de 20 anos, que toca violoncelo. “Comecei com o canto na igreja evangélica que frequento e lá vi que meu negócio é música”, disse ela

Balé – O roteiro turístico começa com uma visita ao Ballet Paraisópolis, composto por alunas da própria comunidade. São meninas como Núbia Monteiro da Silva, de 13 anos, filha de uma empregada doméstica moradora da favela, que depois de estudar balé por um ano pretende seguir até se tornar profissional. “Descobri o que eu gosto”, disse a menina. “Vou ser uma grande bailarina”

Escultor – Depois, os turistas conhecem o ateliê do artista Antonio Ednaldo da Silva, conhecido como Berbela, que transforma sucatas de ferros e outros materiais em esculturas. Berbela ainda não consegue viver de arte. Trabalha num lava rápido e, nas horas vagas, faz as suas esculturas

Casa de Pet – O projeto “Paraisópolis das Artes” tem sua próxima parada na residência de Antenor Clodoaldo Alves Feitosa, toda construída com garrafas PET. São 25.618 garrafas que formam as paredes e a laje. Do lado de dentro, Antenor recebe visitantes e conta que todas as pets foram recolhidas por ele dentro da própria comunidade

Gaudí – Ele é conhecido como o “Gaudí Brasileiro” . Estevão Silva da Conceição tem 56 anos e há 28 constrói seu lar, hoje conhecido como “Casa de Pedra”, uma obra única em São Paulo. Famoso internacionalmente por sua obra, ele tem sua casa comparada com o trabalho do arquiteto catalão Antoni Gaudí. Já foi convidado a ir à Espanha por causa disso

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@ artes@paraisopolis.org
Tel.: 3501-3275

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