O baile funk a luz do humanismo

Foto: Luiz Maximiano/Veja

Por Gideão Idelfonso

O baile funk é a gênese, um rito, aglomeração de pessoas que ao som da batida frenética, se divertem, extrapolam, sintetizam naquele ato com um copo de Whisky na mão e uma Juliet no rosto uma mensagem que grita: o lazer é importante e essencial para a fuga da rotina semanal estressante. Fiz no ano de 2019 e 2020 um estudo de Tese de Conclusão de Curso na faculdade e que em breve será publicado, analisei em algum momento do texto à luz do humanismo, o baile funk, suas diferentes visões dentro de um questionamento se o baile funk é ou não lazer, farei um breve resumo. 
O humanismo afere que o ser humano possui uma autoridade e é o centro do mundo. Não existe nada mais importante que o ser humano, nós regemos o mundo, criamos vacinas, fazemos guerras, promovemos milagres. Os seres humanos para complicarem essa máxima possuem diferentes visões ideológicas e interpretam o mundo de diferentes maneiras, esses humanos são os mesmos que bebem de narrativas religiosas, liberais, socialistas e evolucionária.
Na narrativa evolucionária o conflito é a matéria prima, e quando experiências diferentes se cruzam o mais forte e apto sobrevive. É bem verdade que os que se acham superiores nesse caso resolvem no tiro, porrada e bomba. A essa ideia retrata, pois ações policiais voltadas aos pancadões são restritas às periferias pelo Brasil, abordagens violentas que não ocorrem em bairros elitizados. O fato é que o baile funk não é uma questão policial.
Ao pensar sobre as motivações que levam esses jovens a frequentarem o baile funk a um aspecto da narrativa liberal embutida, eu decido o que quero fazer, indo ao baile de rua me sinto bem é porque é bom, caso sinta que é ruim eu não vou. A minha própria vivência e experiência em grupos sociais também me ajuda a tomar essa decisão.
Em uma narrativa socialista alguns diriam que a minha liberdade de escolha não pode interferir na do outro. A perturbação do sossego seria um bom exemplo nesse sentido, o direito das pessoas da própria comunidade que não frequentam o evento de descansarem. Alguns dirão que o evento deveria ter horário e estruturas bem definidas e organizadas ou não ter.
De fato é difícil definir o que motiva esses jovens a irem aos bailes. O que posso fazer é brincar com as palavras e as teorias. O baile funk sem dúvida alguma possibilita diversão, desenvolvimento, fuga, em sua descompromissada interação comunitária. 
Os espaços urbanos das favelas são escassos, essencialmente estruturados em sua maioria para serviços, comércios e moradias. A alternativa em  primeiro momento é ressignificar os espaços existentes. As ruas passam a ser um ativo para eventos lúdicos, bailes funks e até mesmo protestos. A favela urbana parece nesse sentido se moldar cada vez mais para o trabalho do que para a diversão, descanso e desenvolvimento.

Gideão Idelfonso

Cria de Paraisópolis, bacharel em Lazer e Turismo pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Pesquisador com foco na periferia e sua dialética com o Lazer e Turismo. Teve contato com projetos de impacto social em Paraisópolis e em áreas da Zona Leste.