Combater a pobreza menstrual é uma luta de todos

Por: Flávia Rodrigues 

 

A falta de absorventes é a ponta do ‘iceberg’ quando falamos da pobreza menstrual. Ela está intimamente relacionada com a falta de acesso à água e ao saneamento básico, afinal, como alguém pode realizar uma higiene adequada se não tem o mínimo?

A pobreza menstrual ainda é uma realidade na nossa sociedade. Metade da população feminina já precisou substituir o absorvente por papel higiênico, pano, jornal ou toalha.

Não podemos ignorar 5,6 milhões de mulheres! Não podemos ignorar pessoas que menstruam e sabem o quanto absorventes e itens de higiene são imprescindíveis.

Entre os meus 15 e 16  anos, eu senti na pele a falta de acesso ao absorvente. Deixei por muitas vezes de frequentar a escola e até o trabalho por não ter esse item básico. E essa não era só a minha realidade.  Em cada quatro meninas, uma perde aula por não ter acesso a esse a absorventes.

Quando comecei a atuar como presidente da Associação das Mulheres de Paraisópolis,  falei que iria ajudar mulheres e meninas que passam por isso e, então, em outubro de 2021, lançamos a campanha “Meu Fluxo Livre”, que luta contra a pobreza menstrual visando educar e auxiliar mulheres, além de fornecer kits de higiene pessoal. Junto ao G10 Favelas já entregamos mais de 20 mil kits de higiene pessoal e absorventes em várias regiões do país.

No dia internacional da mulher, o Congresso derrubou o veto do presidente Jair Bolsonaro à distribuição de absorventes. A medida  beneficia estudantes, cadeirantes, presidiárias e mulheres em vulnerabilidade social, isso já é um grande avanço. É um direito nosso ter itens básicos em lugares públicos, como postos de saúde, escolas entre outros, tanto quanto a ter preservativos nesses locais.

Ajudar mulheres e meninas  a suprirem essa necessidade tão básica é a nossa missão. Todas nós merecemos ter a dignidade em ter acesso a itens de higiene básica, como o absorvente. 

 

Foto: Anderson Jorge