Denúncias de racismo crescem em São Paulo

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Por Gideão Idelfonso

A conscientização da população sobre injúria racial e racismo fazem crescer denúncias em São Paulo, ao menos é o que a Ouvidoria da Secretaria Estadual da Justiça e Cidadania acredita, visto que recebeu mais denúncias em 2022 até o momento, em comparação a 2021 no mesmo período.

Em outros setores sociais como no futebol sul-americano, segundo o levantamento do Observatório Racial de futebol, mostra que houve um recorte de injúria racial em 2022, um caso emblemático aconteceu por parte de um torcedor do Boca Juniors em um jogo contra o Corinthians, durante a partida flagrado em um ato racista contra a torcida corintiana.

O homem foi encaminhado aos setores responsáveis, ainda no estádio, para responder aos seus atos. O interessante foi devido ao burburinho que a própria torcida corintiana causou ao evidenciar o ato para a polícia militar, ou seja, parece existir uma maior incidência no futebol enquanto a consciência dos torcedores que, agora, evidenciam e denunciam esses atos repugnantes se tornam mais frequentes.

Esses casos, aparentemente isolados, e que não são, para um preto, pobre e morador de favela são rotineiros e cotidianos.  Sentimos o racismo na pele, no olhar que se esquiva e desconfia, no vidro do carro que se fecha ao passar no farol. Esse racismo, por vezes,  é velado, sutil e difícil de ser mensurado quando é praticado dessa forma.

O que parece ser evidente é que, nas favelas, o assassinato da população negra pela polícia parece não ter limites e, claro, a evidência que a letalidade policial deve ser diminuída. O preconceito racial se apresenta nos becos e vielas tendo em vista o grande número de pessoas negras nesses territórios, o que não ocorre em bairros elitizados, o racismo continua a operar e ceifar vidas.

 

Na favela, os preconceitos se somam, existem pessoas racistas nas favelas, porém é a favela que sofre mais racismo, por isso a conscientização do antirracismo deve partir da favela para enfatizar e enraizar no coletivo. Quem sofre, luta contra o preconceito racial estrutural, onde a divisão entre as pessoas pela raça ou cor de pele deve ser abominada. Pessoas que arrancadas da África, forçadas ao trabalho horrendo da escravidão, após abolição despejada nas ruas e forçadas aos morros das favelas, seguem sendo marginalizadas. 

Ao passo que precisamos informarmos sobre o racismo, percebe-se como negritude e enxergá-lo, perceber que somos culturalmente forçados a internalizar e externalizar o racismo em falas de senso comum como “você está na minha lista negra”, e combater e enfrentar assim se for possível a violência racial que vemos no dia-a-dia com nossos próprios olhos e atos.

Gideão Idelfonso

Cria de Paraisópolis, bacharel em Lazer e Turismo pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Pesquisador com foco na periferia e sua dialética com o Lazer e Turismo. Teve contato com projetos de impacto social em Paraisópolis e em áreas da Zona Leste.