A favela rivaliza com a elitização do esporte

Foto: Globo Repórter/ Reprodução

Por Gideão Idelfonso

 

Os campos de várzeas ou sintéticos das favelas trazem consigo o esporte mais praticado do mundo: o futebol, como sendo um estimulante de interação social e cultura da favela. Em algumas favelas do Brasil, como em Paraisópolis, o senso comum é contrariado e o campo da comunidade palco para a prática esportiva menos conhecida no contexto social brasileiro, o Rugby. Esse esporte é curioso, pois mesmo que tenha surgido no contexto social da elite britânica, como filosofia e prática, tem o potencial de entrar em locais que nunca se praticou o esporte.  

 

No rugby, temos que encarar  o  adversário  de  peito  aberto  e  tentar  golpear  ele  o  mais forte possível e, mesmo assim, lá estamos nós dando risadas e compartilhando histórias  no  terceiro  tempo.  A  gratidão  que  sinto  em  ter  conhecido  esse esporte  que mudou  a  minha  vida  é  muito  maior  do  que  posso  expressar, acordo  todos  os  dias  e  penso  de  qual  forma  posso  contribuir  para  ajudar o Rugby, assim como ele me ajudou e ajuda até hoje”, cita um jogador da própria comunidade.

Ao passo que existem outros bons exemplos, como no complexo do Alemão no Rio de Janeiro, hoje abriga o projeto Favela tênis, esporte elitizado, mas que também adentra em comunidades que jamais teriam contato com o esporte de berço. No complexo da Maré, o boxe vem ajudando jovens a conquistarem o mundo e são tantos outros exemplos que demonstram, que para quem nasce em favelas tudo é possível, ser um jogador renomado ou ser quem quiser ser, sem generalizações e estereótipos.  

 

O esporte pode ser Lazer, negócio, manutenção da saúde, ferramenta de educação de inclusão social e de cidadania. O lazer como uma simples prática de prazer que se insere na infância de forma recreativa. A associação entre o prazer e o negócio que se faz presente no esporte e para muitos atletas uma profissão, outro aspecto são os eventos mundiais que o mundo esportivo possibilita, Olimpíadas e Copa do Mundo são bons exemplos. 

O esporte como manutenção da saúde é uma obviedade, inclusive há médicos que receitam exercícios diários para pessoas com depressão e ansiedade, ou como ferramenta de educação junto a mecanismos de educação social. O fato é que são as organizações sociais que possibilitam esse intermédio da cultura do esporte para o da favela, favorecendo habilidades sociais, que afeta diretamente na vida social e pessoal dos indivíduos, inclusive na busca de novos horizontes, um espaço onde se cria e recria.

O espaço da favela, portanto deve ser construído de forma democrática e harmônica. Por isso, em alguns aspectos, a revitalização urbana é essencial e necessária. E quando não for possível ressignificar os espaços existentes, possibilitando ser um instrumento que pela prática do Lazer juntos aos seus valores no divertimento, na competição e na própria dimensão cultural das atividades praticadas em uma gestão de rotinas participativas possam gerar novos ídolos e que de certo nesse quesito o Brasil está carente. 

Gideão Idelfonso

Cria de Paraisópolis, bacharel em Lazer e Turismo pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Pesquisador com foco na periferia e sua dialética com o Lazer e Turismo. Teve contato com projetos de impacto social em Paraisópolis e em áreas da Zona Leste.