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Chuva forte em SP nesta terça (13) e na quarta (14)

Quem saiu de casa cedo nesta terça-feira (13) em São Paulo pegou uma cidade ainda encoberta, com média de 17 °C nas estações do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) da Prefeitura. O quadro muda ao longo do dia — e é justamente aí que mora o problema: a chuva está prevista para o fim da tarde e o início da noite, exatamente a faixa de horário em que a cidade tem mais gente na rua e mais veículos disputando cada avenida.

Segundo o CGE, a terça terá muitas nuvens, aberturas de sol e sensação de tempo abafado, com mínima de 17 °C e máxima de 26 °C. A partir do meio da tarde, a combinação do calor com áreas de instabilidade que se deslocam do interior rumo à Grande São Paulo provoca pancadas moderadas a fortes, com rajadas de vento e formação de alagamentos. A umidade relativa do ar fica entre 50% e 95% — ou seja, sem risco de tempo seco.

Na quarta-feira (14), o roteiro se repete: manhã abafada com sol entre muitas nuvens, e tarde e noite com chuva moderada a forte e potencial de alagamento, entre 18 °C e 27 °C. Na quinta (15), o padrão continua, com pancadas à tarde, 16 °C de mínima e 25 °C de máxima.

O que o CGE prevê, dia a dia

DiaManhãTardeNoiteTemperatura
Terça (13)Nublado, potencial de tempestade baixoPancadas de chuva, potencial moderadoNublado com chuva17 °C a 26 °C
Quarta (14)Nublado, potencial baixoPancadas de chuva, potencial moderadoNublado com chuva, potencial moderado18 °C a 27 °C
Quinta (15)Nublado, potencial baixoPancadas de chuva, potencial moderadoPancadas isoladas16 °C a 25 °C

O radar já mostrava chuva a caminho na madrugada

No boletim das 4h28 desta terça, o CGE informou que o tempo seguia sem mudanças na Capital, mas que as imagens do radar indicavam chuva no interior do estado, com deslocamento de oeste para leste — sistema que poderia alcançar a cidade nas horas seguintes. É o mesmo mecanismo que deve se repetir à tarde: instabilidade que nasce no interior e chega à Grande São Paulo pelo fim do dia.

Vale lembrar que o aviso do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) para o estado de São Paulo, com perigo potencial para tempestades (aviso amarelo), segue valendo até esta terça-feira (13), abrangendo o sul de Minas Gerais.

O domingo que já deu o aviso

O risco não é teórico. No domingo (11), a cidade inteira entrou em estado de atenção para alagamentos entre 18h58 e 20h35, e a subprefeitura de Guaianases, na zona leste, ficou em estado de alerta — o nível mais grave — entre 19h40 e 20h35, por causa do transbordamento do córrego Guaratiba, na rua Alexandre Legrand.

Os maiores índices de chuva daquela noite vieram justamente da zona leste e da região do Tietê:

  • Córrego do Lajeado (rua Manuel B. de Lima): 32,8 mm
  • Córrego Água Vermelha: 32,4 mm
  • Córrego Itaquera Mirim 1: 32,2 mm
  • Córrego Itaim (av. Marechal Tito): 29,2 mm
  • Córrego Jaguaré (rua Jorge Ward): 25,6 mm
  • Estação Vila Curuçá – Itaim Paulista: 28,2 mm
  • Estação Parque do Carmo – São Mateus: 18,0 mm

Pela manhã desta terça, o painel de alagamentos do CGE não registrava pontos ativos na cidade. A leitura correta desses números é simples: em São Paulo, a chuva de verão não se distribui de forma igual. Enquanto a zona leste e a Marginal do Tietê concentraram os maiores volumes, outras regiões registraram bem menos. Quem mora ou trabalha em fundo de vale, próximo a córrego ou em via que já alagou antes deve tratar a previsão de hoje com atenção redobrada.

Outubro chuvoso, mas ainda abaixo do esperado

O banco de dados meteorológicos do CGE mostra que outubro acumulou 65,2 mm de chuva até agora, o equivalente a 58,2% dos 112 mm esperados para o mês. Traduzindo: a cidade está longe de um outubro excepcional, mas os episódios têm sido concentrados e intensos — o que, para quem depende de drenagem urbana, importa mais do que o total.

Por que chove tanto no fim da tarde

Dois fatores se somam nesta semana. O primeiro é o calor com muita umidade na atmosfera, que forma nuvens de tempestade ao longo do dia e as descarrega no fim da tarde. O segundo é a entrada da brisa marítima, que empurra o ar úmido do litoral para cima da Grande São Paulo no fim do dia e ajuda a organizar as áreas de instabilidade.

No cenário mais amplo, o INMET aponta um cavado — uma faixa alongada de baixa pressão — entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai, que mantém o tempo instável sobre o norte da região Sul e o estado de São Paulo. A frente fria associada ao ciclone extratropical que passou pelo Sul perdeu força sobre o oceano e não avança pelo Brasil, o que explica por que São Paulo terá chuva, mas não frio intenso. Mesmo assim, a previsão de acumulados de chuva entre 9 e 13 de outubro aponta volumes acima de 80 mm no leste paulista.

Curiosidade que ajuda a dimensionar: nesta mesma semana, Belo Horizonte chegou a 34 °C a 35 °C, e Porto Alegre não passou de 13 °C no feriado. São Paulo ficou no meio do caminho — ameno (máximas abaixo de 24 °C na segunda) e molhado.

O que fazer antes de sair de casa

  • Evite compromissos com horário rígido entre 17h e 21h. É a janela com maior chance de pancada forte, rajada de vento e via bloqueada.
  • Consulte o trajeto antes de sair. A CET atende pelo 156 e mantém o mapa de trânsito em cetsp.com.br; o CGE publica o painel de alagamentos em cgesp.org.
  • Nunca atravesse rua alagada, a pé ou de carro. Correnteza é o principal fator de morte em enchentes urbanas, e meio metro de água já move um veículo.
  • Fique longe da rede elétrica e de árvores durante a chuva. Rajadas de vento estão previstas junto com as pancadas.
  • Se estiver na rua quando a chuva apertar, entre em uma edificação segura e espere. Não use marquises de árvores nem estruturas provisórias.
  • Em casa, mantenha telhados e calhas em ordem, drenagens e canaletas desobstruídas, e não jogue lixo em córregos, encostas ou margens de rio — é isso que entope bueiro e ramal de drenagem.
  • Se a sua rua alaga com frequência, coloque objetos de valor em prateleiras altas antes do fim da tarde.
  • Depois da água baixar, não ande na lama ou na água suja. Há risco de leptospirose e outras doenças; procure a UBS se aparecerem sintomas como febre, dor de cabeça e dor muscular.
  • Em emergência: Defesa Civil 199 e Corpo de Bombeiros 193.

Telefones úteis

ServiçoTelefone
Prefeitura de São Paulo / SPTrans156
CET (trânsito e vias bloqueadas)156 (Capital) e (11) 3396-6709 (demais cidades)
Defesa Civil Municipal (COMDEC)199
Defesa Civil Estadual(11) 2193-8888
Corpo de Bombeiros193
Polícia Militar190
CPTM0800-055-0121
CGE – Plantão 24h(11) 3396-6739

E no resto do país?

O Brasil segue dividido. As chuvas mais intensas desta semana se concentram na faixa oeste e sul, com destaque para o Paraná, que deve ser o estado mais afetado em área — em pontos do oeste paranaense, perto de Foz do Iguaçu, os acumulados podem passar de 300 mm no período. Também chove forte em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, onde Porto Alegre teve feriado gelado.

Do outro lado, o calor e o tempo seco dominam o Amapá, boa parte do Pará, Tocantins, centro e norte de Goiás, Distrito Federal, centro e norte de Minas Gerais, Espírito Santo e grande parte do Nordeste, com avisos de baixa umidade do ar. Teresina chegou a 40 °C e Manaus a 38 °C.

POR

Joildo Santos

Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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