Vítimas dos incêndios ainda aguardam atendimento da SEHAB

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A população de Paraisópolis muitas vezes é pega de surpresa por incêndio. O mês de março ficou marcado na memória de várias famílias, pois onde era possível ver barracos, refúgio de muitos que não têm condições de morar em um lugar digno, foi substituído por um cenário de cinzas, fazendo com que perdessem o pouco que tinham conquistado.
 
Os moradores tentam de alguma forma reconstruir e retomar a vida, muitos deles em casa de parentes ou até mesmo amigos. Sem ter o que vestir, pois perderam tudo que tinham e muitos ficaram apenas com a roupa do corpo, moradores tiveram a recorrer a doações.
 
Em  entrevista no gabinete do prefeito regional do Campo Limpo, Heitor Sertão,  informou que no primeiro momento dos dois incêndios foi realizada doações de em média 1.200 cobertores, colchões, kits de higiene pessoal e cestas básicas. E para algumas famílias que não tinham para onde ir, ele afirma que conseguiu vaga no abrigo da Lapa para atender as classes prioritárias como gestante, criança de colo, pessoas com deficiência e idosos.
 
Assistência aos Afetados – Segundo Heitor, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) fez um levantamento e o recadastramento das famílias afetadas e enviou para a Secretaria de Habitação, responsável por 90% das ações pós incêndio e, principalmente, quem faz o pagamento do aluguel social.  O prefeito  ressaltou que as pessoas que precisarem de algum auxílio ou socorro devem procurar o CRAS. “ Lá tem assistente social e toda uma equipe da prefeitura para auxiliar qualquer um que necessitar”.
 
Soluções – Nos últimos anos, tem ocorrido na comunidade incêndios de grandes proporções. Felizmente, não foram registrados casos de mortes, porém muitas famílias ficam desabrigadas. Para Heitor Sertão a paralisação das obras de urbanização fez com que a comunidade tivesse um retrocesso de 10 anos. “O que podia acontecer é ter dado uma reduzida nas obras para assim não piorar a situação da comunidade e evitar incêndios”. O prefeito regional informou que está correndo atrás para ver se reativa o Programa de Prevenção contra incêndio em Assentamentos Precários (Previn), um projeto de prevenção nas comunidades que corria risco de incêndio.
 
Como medidas preventivas para evitar novos incêndios, Heitor se comprometeu de levar ao secretário de habitação a importância da preservação do local público onde ocorreu o incêndio, pois é considerado risco 4, escala de riscos praticadas pelas Comissões de Defesa Civil dos municípios (COMDECs), que divide em quatro níveis de risco: 0 a 1-Risco baixo; 1 a 2 -Risco médio; 2 a 3 –Risco alto; e 3 a 4 –Risco muito alto.
 
Para Heitor, Paraisópolis deveria ter uma ação direta, caso tivesse recurso, com um núcleo atento a novas invasões e assim evitaria que as áreas de riscos fossem invadidas. “Não acredito que só com urbanização consiga segurar essas invasões”. 
 
Habitação – Em reunião realizada, no dia 19 de abril, com o secretário Municipal de Habitação Fernando Chucre, ficou definido que as famílias que se enquadram na portaria 131/15 prevista na legislação e terão atendimento prioritário. Essa portaria do dia 09 de julho de 2015 estabelece alternativas de atendimentos habitacional provisório, fixa valores limites e regulariza as condições e os procedimentos para a sua concessão e manutenção.
 
O secretário Fernando Chucre ressaltou que o critério de atendimento é oferecer o auxílio aluguel para as famílias que se encontram em extrema vulnerabilidade, de acordo com a lei. “Essas famílias são a prioridade e serão atendidas de forma imediata”.
 

A aplicação da portaria exclusivamente sem outros mecanismos de atendimento, levará com que famílias que foram vítimas do incêndio e não se enquadrem nos critérios fiquem desamparados, e aqueles enquadrados terão atendimento provisório, levando com que voltem a ocupar locais precários. A retomada do programa de urbanização e principalmente a construção de moradias se tornam urgentes para a retirada de milhares de moradores do programa aluguel social e também de áreas de risco, com a construção de equipamentos públicos necessários para a toda a comunidade.

Identificação dos locais –  O secretário informou que foi feito o levantamento fotográfico da região atingida pelos dois incêndios e encaminhado para a Defensoria Pública e ao Ministério Público. “Este material também estará disponível para todos os moradores que se interessarem em ter acesso”, concluiu.
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