Tem samba na comunidade

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Por Francisca Rodrigues

As noites de Paraisópolis são embaladas por diversos gêneros musicais, porém, o samba e o pagode são ritmos que têm destaque em casas de shows nos finais de semana. Grupos como Doce Presença, Samba Favela, além de artistas solos como Adriano Marvilla e Paulo dos Anjos fazem as noites dos amantes do samba mais agitadas.

doce presença

Grupo Doce Presença (Foto: Reprodução)

As sextas-feiras e sábados o pagode é garantido na Pizzaria Brothers, localizada na Rua Iratinga. Já no domingo, o ritmo é garantido na Choperia 1000 Grau, localizada na Rua Rudolf Lotze, que recebe artistas como Paulo dos Anjos e outros grupos.

Ex-integrante do grupo Doce Presença, Paulo dos Anjos canta desde os 14 anos, mas iniciou sua carreira solo em janeiro deste ano. Para o artista, poder exercer a música em maior parte do seu tempo é um dos seus maiores sonhos. “A música é o que mais amo fazer e é o que me dá mais prazer. Eu quero ter a música muito mais presente no meu dia a dia”.

Conhecido por cantar o tradicional samba de raiz, Adriano Marvilla começou a gostar do gênero aos 6 anos de idade. “Minha irmã escutava uma rádio de samba todas as manhãs enquanto a gente se arrumava para ir à escola. Aos 10 anos, toquei na minha primeira roda de samba junto com o meu irmão que era percussionista e aos 13 ganhei meu cavaco”, relembra.

Com carreira solo iniciada este ano, Adriano irá lançar em setembro pelas redes sociais a música “No Sacrifício”, uma composição de Andrezinho Paraisópolis e Ricardo Rabelo, que conta a história de um homem que já enfrentou problemas, venceu e agora pede respeito pela sua caminhada.

Com 13 anos de estrada, o Doce Presença é conhecido como um dos grupos de pagode mais antigos da comunidade. Em sua primeira formação chegou a ter quinze integrantes e hoje conta apenas com dois. A dupla Regi e Théo não dispensa os freelancers que ajudam a completar o grupo.

samba favela

Grupo Samba Favela (Foto: Reprodução)

Já o Samba Favela existe há sete anos. Formado atualmente por Rodrigo (Digu), Marcelo (Celo) e Kleyton, o grupo chegou a ter onze integrantes e é conhecido por tocar o tradicional samba de raiz. Digu é o atual vocalista e está no grupo há cinco anos. Ele afirma que sua paixão pelo samba surgiu por influência da família. “Minha família sempre fazia samba em todas as festas e eu ouvia desde pequeno”.

Como não dá para viver só de música, muitos dos artistas conciliam os shows com outras profissões. Facilmente você pode encontrar promotor de vendas, atendente de lanchonete, professor de cavaquinho e violão, entre outras funções.

Embora algumas casas contratem grupos de pagode para atrair a clientela, ainda faltam mais locais que atendam o público exigente da comunidade, que gosta do estilo musical e aprecia grupos e artistas que vez ou outra se apresentam em Paraisópolis.

Osvaldinho da Cuíca participa de roda de samba em Paraisópolis

 

(Foto: Keli Gois)

Osvaldinho participou de uma roda de samba com André Malavazi, Paulo dos Anjos, Adriano Marvilla e Emerson Barata (Foto: Keli Gois)

Um dos maiores nomes da história do samba paulistano, Osvaldinho da Cuíca esteve em Paraisópolis no início de agosto para celebrar o aniversário da Rádio Nova Paraisópolis 87,5 FM. Osvaldinho participou de uma roda de samba com Adriano Marvilla, Paulo dos Anjos e André Malavazi no programa Diário de Esportes, apresentado por Emerson Barata.

Osvaldinho é produtor e pesquisador musical, e durante o programa fez uma análise sobre a diferença entre o samba e o pagode.

“O samba tradicional tem valor porque ele já nasceu denunciando o jogo e a corrupção da polícia. Ele tem um compromisso social, denuncia o preconceito e as falcatruas. O samba fala de amor e de todos os temas. O pagode não, é só amorzinho. Não que seja ruim, tem pagode muito bom”, conclui.

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Autor

Francisca Rodrigues é jornalista, repórter do jornal Espaço do Povo, apresentadora do programa Meia Prosa (Rádio Nova Paraisópolis, 87.5FM) e assessora de comunicação do Luau Paraisópolis.

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