Arte da calma: Karatê ajudou professor a vencer raiva e ser inspiração para alunos

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Quanto o esporte pode transformar a vida de uma pessoa? Na vida de Francisco de Assis Diniz, 53 anos, o Karatê teve um papel fundamental. A arte marcial, que foi levada ao continente japonês no início do século 20, desenvolvida a partir da arte marcial indígena de Okinawa, sob influência da arte da guerra chinesa, atualmente é considerada uma arte de golpes que usa socos, pontapés, golpes de joelho, entre outros. E é aí que a vida de Francisco passa por um divisor de águas. Muito mais que golpes, chutes e pontapés, o paraibano da pequena cidade de Esperança aprendeu a cultivar a arte da calma.

Conhecido como brigão, pavio curto, impulsivo e raivoso, Francisco tornou-se uma pessoa mais agradável e sensível ao próximo,  quando passou a ter contato com o esporte, aos 17 anos, por meio de um projeto social. “Eu era arengueiro, mas o Karatê me transformou em uma pessoa melhor”, contou. E justamente por ter tido uma transformação tão importante em sua vida, Diniz resolveu usar todo o conhecimento adquirido para transformar a vida de outras pessoas.   “Eu era tipo uma fera que foi sendo domada. Hoje eu me sinto uma pessoa realizada”, afirma.

Morador de Paraisópolis há 22 anos, Diniz fundou a Associação Budokan em 19 de dezembro de 1999. Ele explica se tratar de  uma associação por ser associada à Federação  Paulista de Karatê. “A associação Budokan é uma casa de arte associada à Federação. É uma academia de Karatê, onde se pratica o esporte e a disciplina. É um lugar onde procuramos melhorar o desempenho das pessoas, não só a parte física, mas também a parte mental, espiritual, e autoestima”, afirma.

O pedreiro Gilberto Leôncio Barbosa, 39 anos,  treina com Diniz  desde 1996,  quando os treinos ainda ocorriam na casa do sensei. O pernambucano praticava Kung Fu, mas foi no Karatê que ele se identificou e, há oito anos, é faixa preta.  “Quando era adolescente, comecei a praticar artes marciais pensando em bater em alguém, mas quando comecei no Karatê mudei o pensamento”, afirma Leôncio. Ele  explica que a disciplina fez com que o objetivo se tornasse outro: participar dos campeonatos. “Já participei de vários campeonatos. Fui campeão Paulista”, comenta orgulhoso.

O esporte, praticado em sua maioria pelo público masculino, tem atraído também muitas mulheres, é o caso de Mariluzia Fernandes Barreto, 36 anos. Foi levando o filho de 11 anos aos treinos que nela reacendeu a vontade de praticar Karatê. “Eu vinha nas aulas para acompanhar meu filho e sentia uma vontade enorme de treinar”, comenta a baiana, que teve seu primeiro contato com a arte marcial aos 9 anos. Aluna da academia há 4 anos, ela sonha em participar dos campeonatos. “ Eu quero competir ainda, e chegar até a final”.

Além de auxiliar no processo mental e espiritual dos alunos, a arte marcial também auxilia na questão da saúde. Frequentador assíduo das aulas, Jaime Pedroso dos Santos, 56,  não impede que a dificuldade no desempenho de alguns golpes o impeça de praticar o esporte, algo que ele faz há 15 anos. “Eu fiquei três meses sem ir à academia para ver se melhorava, fiquei gastando dinheiro com remédio e nada, eu estava ficando travado dentro de casa. Decidi voltar para a academia e isso está me fazendo bem”, afirma.

Jaime, que sempre foi ativo, também teve contato com a Capoeira, mas após 10 anos longe do esporte devido a problemas com álcool, decidiu praticar o Karatê, o que, segundo ele, tem transformado sua vida. “O karate abre muito a mente das pessoas, tira a pessoa de certos vícios, ajuda na educação. É o bem que traz o esporte. A gente tem que praticar para o bem, não para o mal”, ele completa “Eu estou aqui porque é isso que está me levantando, senão eu não saberia o que estaria fazendo nem dentro de casa”, concluí.

Em 2016, a modalidade foi anunciada no Rio de Janeiro pelo Comitê Olímpico Internacional como um dos esportes que passa a integrar o quadro olímpico nos Jogos de Tóquio em 2020.

Na associação do Diniz, os treinos são realizados  terças e quintas-feiras de manhã (às 7h30) e à noite (às 19h30 e às 20h30).

 

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Autor

Francisca Rodrigues é jornalista, repórter do jornal Espaço do Povo, apresentadora do programa Meia Prosa (Rádio Nova Paraisópolis, 87.5FM) e assessora de comunicação do Luau Paraisópolis.

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