Ponto de encontro entre nordestinos, Bar do Corno preserva tradição e culinária do nordeste em Paraisópolis

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Bar do Corno passou a ser frequentado por migrantes de diferentes estados brasileiros, que buscavam na comida, na música e no ambiente um pouco de suas raízes. (Fotos: Keli Gois)

Por Keli Gois

As saudades que Manuel de Jesus Barbosa, 41, tinha de sua terra natal foi o que o levou a resgatar a cultura nordestina em uma das maiores comunidades do Brasil. Manézinho, como é conhecido, tem uma casa do norte há seis anos em Paraisópolis, e desde então, realiza a tradicional “Festa do Corno”, que reúne não só os nordestinos que vivem na comunidade, como também pessoas de outros estados brasileiros.

Barris de cachaça, cabaças e chifres de boi são alguns artefatos que os frequentadores do Bar do Corno encontram. A impressão que dá é de realmente estar em algum local do nordeste, pois, além de enfeites e objetos decorativos que lembram as tradições, pratos típicos como joelho de porco, sarapatel, buchada de bode, entre outros, marcam a culinária forte trazida à São Paulo pelos nordestinos.

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Cabaças, cachaças e outros produtos típicos trazem um pouco do nordeste para Paraisópolis.

“Nós fizemos uma mistura de Casa de Norte e bar. Como somos descendentes do nordeste, ficava mais fácil pra gente fazer comidas típicas. Sentíamos falta disso e queríamos trazer um pouco do nordeste para Paraisópolis, até para trazer mais os conterrâneos para próximo da gente, e é o que acontece hoje”, explicou.

Considerado um point dos nordestinos, o bar passou a ser bastante frequentado por migrantes de diferentes estados brasileiros, que buscavam na comida, na música e no ambiente, um pouco de suas raízes, resgatadas a cada mês com a “Festa do Corno”.

Segundo Manézinho, o nome e a festa surgiram após uma homenagem feita por ele a seus clientes mais fiéis, quando os presenteou com uma placa que levava o nome do bar e os próprios frequentadores resolveram mudar. “Eu já tinha um chifre pendurado na parede e queria dar uma placa com o nome de cada um dos meus clientes. A placa levava o nome de “Casa do Norte Manézinho”, e os clientes decidiram que seria “Cornos Neutros Mané” e nós resolvemos fazer uma festa comemorando”, destacou.

A partir daí o grupo se fortaleceu e passou a reunir-se todos os meses. Eles até fizeram uma planilha com a data de nascimento de todos os frequentadores, e no último sábado de cada mês passou a comemorar o aniversário dos principais clientes.

IMG_9157De acordo com Manézinho, a festa é feita de forma comunitária, cada um leva as bebidas e a “mulher do corno” fica responsável por levar um prato típico.”Criamos uma arrecadação, que é a ‘mensalidade do corno’. Esse dinheiro arrecadado é só para essa frente, sempre com churrasco e cerveja”, revelou.

Às vésperas do Dia do Nordestino, comemorado em 8 de outubro, Manézinho revela seu orgulho em viver em Paraisópolis, comunidade onde 85% dos moradores é de nordestinos, local onde vive há 12 anos com os filhos e a esposa, que saiu do Piauí para tentar a vida em São Paulo. “São Paulo não é ilusão, tem que saber viver e trabalhar. São Paulo ainda é a esperança para aqueles que estão vindo. Nordestino tem que acreditar e batalhar, mas não esquecer da nossa terrinha. Se tiver fé e trabalhar vai ter futuro”, finalizou.

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Autor

Jornalista da Agência Paraisópolis

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