Paulo Brown | Grafite: A arte que dá cor à cidade

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Estou em New York há quase dois anos e, acredite, tem sido um tremendo aprendizado, além da aula de civilidade na cidade, também conhecida como Big Apple, onde tudo funciona, principalmente, o respeito às diferenças com suas bases na educação e cultura onde todo mundo é cidadão. New York é uma cidade elétrica que reúne pessoas do mundo todo, onde todos falam inglês, o idioma do país carregado de sotaques, e também onde o segundo  idioma é o espanhol, a língua dos países latino-americanos que trouxeram sua rica cultura para a América, apesar de toda política anti-imigração implantada pelo governo de Donald Trump.

A questão latina vem desde os tempos de Emiliano Zapata, quando EUA e México brigavam pela costa oeste Americana, onde está situada a cidade de Los Angeles. Mas, atualmente, a arte de grafitar se espalha pelos murais dos EUA, de leste a oeste e de norte a sul, e o grafite expressa momentos tristes e de glórias, dando tom aos guetos das cidades americanas.

Na costa leste dos anos 70, a arte sempre esteve presente na cidade cinzenta e nervosa, apesar do desemprego e da violência similar à cidade de São Paulo e seus guetos de norte a sul e de leste a oeste. Nos anos 80, os grafiteiros do Bronx resolveram mostrar sua arte por toda cidade de New York, pintando os vagões dos metrôs que iam do Bronx ao Brooklyn, passando por Queens e Manhattan, dando maior visibilidade a artistas como Fab 5 Freddy, amigo de Jean-Michel Basquiat, e que ainda nos anos 70 Fab já circulava pelos bairros do Brooklyn com sua crew conhecida como Fabulous 5. Depois vieram Lee Quinõnes “Zoro” e Sandra Pink, que estão no filme “Wild Style”, de Charlie Ayhearn, filmado em 1981 nas quebradas de South Bronx e que traz o grafite e o rap com participações de Busy Bee, Cold Crush Brothers, Grandmaster Flash, entre outros nomes.

Intervenção do grafiteiro Speto (foto: reprodução)

Já voltando os olhos para a maior cidade da América Latina, a cidade de São Paulo tem seus picos famosos como o famoso Beco do Batman, na Vila Madalena, uma verdadeira galeria ao ar livre com grafites de artistas, como o artista plástico e ilustrador Paulo César Silva, mais conhecido como Speto, um verdadeiro cartão-postal.  E pelas ruas da cidade se espalham grafites de artistas como Os Gêmeos e Kobra, que são mundialmente famosos com suas artes maravilhosas, porém, de norte a sul e de leste a oeste, aparecem outras crews como OPNI e Sociedade Fantoche, entre tantas outras.

Beco do Batman em São Paulo (foto: reprodução)

A cidade já teve grafites de Alex Vallauri, um dos pioneiros a pintar o túnel da Avenida Paulista e Avenida Sumaré, despertando nossa atenção para suas artes-alertas. Já pela grande São Paulo, existem grafiteiros como Molão, que espalha suas artes pela Estância Turística de Embu das Artes, ainda têm Gamão, Jarbas Sena (ACME) e Chambis, que dão cores as ruas da zona sul.

 Recentemente, o grafiteiro a Arte-Educador Bonga Mac, de Francisco Morato,  e  a jornalista Tamires Santana, que após participarem do 1o Festival Internacional de Grafite de Caieiras, decidiram reunir vários trabalhos num único livro e  lançaram “Tinta Loka Street Book”, que traz várias intervenções de vários artistas pelas cidades do Estado de São Paulo, dando visibilidade a outros artistas e suas obras, fazendo do livro uma referência nacional na arte do grafite cujo prefácio foi escrito por Fab 5 Freddy, o artista plástico da cidade de New York. Divirta-se!

Abraço!      

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Autor

Paulo Brown é produtor e apresentador de “Grooving”, aos domingos às 10h00 na Rádio Nova Paraisópolis 87,5 FM

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