Ó Tricolor: moradora revela sua paixão pelo São Paulo F.C. e transforma sua casa em uma espécie de “templo” do time paulista

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Publicado no Jornal Espaço do Povo 32

Texto e Fotos por Francisca Rodrigues

Captura de Tela 2014-05-26 às 19.50.35Quem passa pela Rua Silveira Sampaio, em Paraisópolis, e avista a fachada da casa decorada com escudos do São Paulo Futebol Clube, logo imagina que ali vive um torcedor fanático. Na verdade, a paixão pelo time paulista não é de um torcedor, mas, sim de uma torcedora.

Joyce Pereira dos Santos, 50, conhecida como “a são paulina” na comunidade onde mora há quase 40 anos, diz que é louca pelo time, mas isso nem precisa falar, pois se já é incomum ter a fachada da casa repleta de escudos do time, imagine ter a casa toda decorada com objetos do São Paulo.

Na sala logo se avista objetos que compõem a decoração, mas é na cozinha que se percebe a paixão da baiana. Copos, pratos, xícaras, entre outros utensílios fazem parte da decoração, além daqueles que são utilizados no dia a dia da torcedora. O que não tem escudo, Joyce personaliza, como a geladeira, a máquina de lavar, a televisão, os lençóis de cama e até a máquina de costura. Não há mais espaço nos móveis, nos eletrodomésticos ou nas paredes para que a São Paulina possa pendurar, pintar ou colar o símbolo do time. É muita paixão para uma pessoa só.

Há 25 anos Joyce torce para o time tricolor, ela conta que não lembra ao certo como começou esta paixão, mas acredita-se que um dos motivos tenha sido por causa do ex- jogador Raí, por quem ela admite ter grande admiração. Ela relembra que teve uma chance de falar com seu ídolo, mas ficou com tanta vergonha que não conseguiu abrir a boca.”Eu estava passando próximo ao estádio e vi o Raí. Ele estava andando do lado de dentro e eu do lado de fora, o que separava a gente eram as grades. Fiquei muda, e não consegui falar nenhuma palavra”, contou arrependida.

Captura de Tela 2014-05-26 às 19.50.29Vizinha do Morumbi, Joyce perdeu as contas de quantas vezes já foi assistir aos jogos do time. O estádio Cícero Pompeu de Toledo é uma espécie de segunda casa para a fanática. Mesmo quando não há partidas do time, quando não está no trabalho ou em sua casa, vai até o Morumbi para repor as energias. Ela conta que muitas vezes em dias de jogos fez o trajeto de sua casa até o local a pé e lembra das vezes em que voltou chorando quando o time perdia a partida.

Falando em decepções, a torcedora revela que uma das maiores de sua vida foi quando seu único filho, Roberto Pereira dos Santos, 24, que por muitos anos torceu pelo mesmo time que ela, resolveu torcer para o Corinthians.”Eu fiquei doente porque ele virou corintiano. Quando criança ele torcia para o São Paulo. Ele só torcia por minha causa”, afirma.

Hoje, até dão muitas risadas quando relembram, mas Roberto diz que chegou a ficar preocupado, pois sua mãe ficou duas semanas doente pela tamanha decepção.” Minha mãe ficou doente por muitos dias. Ela passou mal. eu pensei que era brincadeira quando ela ficou mal, mas depois eu percebi que era sério mesmo”

Roberto fica impressionado com a paixão que a mãe tem pelo tricolor. “Ela deixa de comprar comida para comprar colcha de cama”, brinca. Ele conta que certa vez os dois estavam em Santo Amaro quando sua mãe avistou em uma loja do outro lado da rua uma colcha de cama do São Paulo. “De longe ela viu a colcha que estava em uma caixa. Ela atravessou a rua , me largou sozinho do outro lado. Quando olhei para dentro da loja eu vi a colcha e entendi o motivo”, relembra Roberto, que diz que conseguiu impedir a mãe de comprar naquele dia, mas alguns dias depois não teve jeito ela voltou até a loja escondida do filho para buscar a colcha, que na época custou R$ 180.

Captura-de-Tela-2014-05-26-às-19.50.43Joyce não tem ideia da quantidade de peças do São Paulo que tem e nem do quanto já gastou, mas revela que a colcha não foi o item mais caro que comprou, o jogo de caixas organizadoras com o símbolo do time custaram a são paulina R$ 400. O filho afirma que com o passar do tempo Joyce deixou o São Paulo de lado para ocupar sua mente com outras coisas e hoje em dia não tem tantos objetos assim.”Aqui antigamente tinha muito mais coisas, parecia que você estava dentro do salão do estádio. As pessoas quando entravam aqui pensavam que ela era maluca”, afirmou. Hoje, as paredes da sala dão espaço a fotografias do filho e podemos encontrar objetos com o escudo time rival.

Pelo menos na casa de Joyce dois torcedores de times rivais podem viver em harmonia, pois a paixão pelo tricolor veio antes do seu filho e hoje ela tem o coração divido entre estes dois amores. Roberto respeita o fanatismo da mãe, mas confessa que quando acontece o clássico Corinthians x São Paulo, não resiste e faz uma provocação, porém na casa da são paulina não existe rivalidade é mais uma brincadeira sadia. “Quando o Corinthians joga contra o São Paulo eu coloco o hino em volume alto e da mesma forma que eu brinco com meus amigos eu faço com ela”.

Quanto ao amor pelo time ela revela. “O mesmo sentimento que tenho pelo meu filho eu tenho pelo São Paulo”. Então já dá para ter ideia do quanto este amor é grande. Além de ter o time no coração ela tem tatuado no corpo. Recentemente fez uma tatuagem no braço esquerdo com o escudo e a frase “Uma vida de Amor”.

 

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Autor

Editor do Jornal Espaço do Povo

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