Morador de Paraisópolis capta água da chuva há 14 anos e mostra que economizar é possível, mesmo em tempos de crise

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Com três caixas para a captação de água da chuva, água fornecida pela Sabesp é utilizada apenas para preparar os alimentos, tomar banho, escovar os dentes, lavar roupa e louça (Fotos: Keli Gois)

Por Keli Gois
Diante da crise de falta d´água nos últimos meses, tornou-se muito comum ver as pessoas economizando e fazendo de tudo para reaproveitar esse bem que está cada vez mais escasso. Essa rotina, porém, não é nenhuma novidade para Osvaldo Camilo dos Santos e sua esposa Helena Simão dos Santos, ambos com 69 anos, que já fazem isso há 14 anos em Paraisópolis.

Ao entrar na casa de Osvaldo e Helena, a sensação é de estar em apenas mais uma casa em Paraisópolis, mas, o que diferencia a casa do casal das demais na comunidade são pequenos detalhes que fazem toda a diferença. Calhas para captar água da chuva, caixas que armazenam a água captada, mangueiras que saem da máquina de lavar roupas e diversos tambores e baldes com água para ser reutilizada foram as maneiras encontradas por eles para diminuir o consumo.

O que mobilizou a família a economizar foi o fato de, certa vez, a água quase ter sido cortada. Isso ocorreu em um período em que Osvaldo esteve no hospital e a esposa teve que assumir as contas de casa sozinha. Na época, as contas vinham muito altas, segundo ela, havia problemas de ligações irregulares de água e esgoto, que acabavam sendo cobrados na conta da família. Após isso, aquele hábito de captar água de chuva tornou-se rotina, e a conta, que antes estava em torno de R$ 180, passou a custar R$ 20.

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Água utilizada para lavar a louça é reutilizada para jogar na privada

Com três caixas para a captação de água da chuva, que totalizam dois mil litros, o consumo da água da Sabesp é mínimo. A água fornecida pela companhia fica armazenada em duas caixas e é utilizada apenas para preparar os alimentos, tomar banho, escovar os dentes, lavar roupa e louça. As demais atividades, como dar descarga no banheiro, lavar o quintal e a frente da casa são todas feitas com a água da chuva.

A armazenagem da água tem toda uma preparação e cuidado, segundo o casal. Ao ser captada pelas calhas, a água cai em um cano que já tem um pano para retirar as impurezas, além disso, há um cuidado para não atrair insetos como o mosquito Aedes aegypti (Dengue). “Eu coloco cândida dentro da água e isso protege para que os insetos não venham”, explicou a dona de casa Helena Simão, que completou “Colocamos um pano na boca do cano para segurar a sujeira. Quando a caixa seca, nós damos uma boa lavada, e sempre que a chuva vem a caixa está limpinha”.

O mecanismo de captação da água é bem simples. Quando chove, a água que corre pelas calhas é destinada às caixas de água e tambores. As três caixas utilizadas para esse fim são abastecidas e a caixa instalada no último andar fica responsável por distribuir a água para as outras. “A água da chuva desce pelo telhado, cai na calha e vai para a caixa. A água que minha esposa lava roupa a gente aproveita e joga no banheiro, lava a escada e o quintal, mas não todo dia, nós temos que economizar. Quando está chovendo tudo bem, porque as caixas de água que captamos estão cheias, mas quando não chove é somente uma vez por semana”, explicou.

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Osvaldo explica que uma caneca de água é suficiente para escovar os dentes e lavar o rosto. E a regra vale também para a neta de 4 anos, que possui sua própria canequinha

Montar toda essa estrutura para captar água da chuva e destiná-la aos diferentes locais da casa não foi uma tarefa difícil de realizar. Segundo o aposentado, o investimento de ter uma calha é algo barato e vale muito a pena, quanto as caixas, pode ser feito pouco a pouco, sem a necessidade de comprar de uma vez. “Eu gostaria que a turma fizesse que nem eu. Que tivesse um telhado com calhas e reutilizasse a água da chuva. Não gastei muito, é só colocar a calha no beiral da telha e pronto. Vale muito a pena”, defendeu.

Com o baixo nível nas represas que abastecem a capital, o casal também sofreu reflexos e teve que fazer algumas mudanças na rotina. Por mais que a maioria da água utilizada seja da chuva, como choveu pouco nos últimos dias, o casal tenta economizar e evitar o desperdício de qualquer maneira. “Só porque eu tenho a caixa de água da chuva eu não posso ficar esbanjando. Eu não sei se vai chover amanhã. Eu economizo o máximo que posso”, explicou Osvaldo.

Embora seja algo fácil e de baixo custo, Osvaldo afirma nunca ter visto outra pessoa na comunidade que adote o mesmo procedimento, e, sempre que pode, aconselha os vizinhos e amigos a tomarem alguma medida para reaproveitar a água da chuva e economizar. “É muito simples, você compra um tambor e coloca, e quando estiver chovendo dá para juntar água. Mesmo que não falte água da Sabesp e que a represa esteja cheia, é bom que as pessoas previnam-se. Qualquer um pode fazer essa economia”, finalizou.

Água

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Jornalista da Agência Paraisópolis

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