Miriam Orensztejn | Estar alfabetizado não é sinônimo de escrever corretamente as palavras

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Com contribuição de *Denise Nalini

Durante muito tempo se acreditou que estar alfabetizado era sinônimo de escrever corretamente as palavras do ponto de vista ortográfico. Somente a partir da década de 1980 com as pesquisas da Dra. Emília Ferreiro sobre como as crianças aprendem a escrever, pudemos distinguir dois processos: o processo de aquisição do sistema alfabético, ou seja, a alfabetização propriamente dita, e o processo da aprendizagem das normas ortográficas. O primeiro se relaciona com a compreensão de um sistema e o segundo com a memorização de regras. Exemplificando: para que alguém seja considerado alfabetizado é necessário que compreenda como nosso sistema de escrita funciona: para escrever cada parte de uma palavra duas ou mais letras são necessárias. Para escrever o “ba” de “banana” a criança precisa compreender que são necessárias duas letras “b” e “a”. Isso é diferente de saber que a palavra “paz” termina com “z” e não com “s” ou“chocolate” se escreve com “ch” e não com “x”. Neste caso, para escrever corretamente as crianças precisam ter essa informação. Portanto, quando escrevem “xocolate” não significa que sejam analfabetas, mas que desconhecem a grafia correta.

Quando professores e gestores desconhecem os processos de aprendizagem da linguagem que se usa para escrever acabam avaliando os alunos como analfabetos que por uma série de fatores estão finalizando o primeiro ciclo e/ou iniciando o segundo com muitas questões ortográficas.

Para escrever corretamente do ponto de vista ortográfico é preciso que haja um trabalho sistemático e contínuo com situações de leitura e de escrita. Situações que são diferentes daquelas que focalizam a aquisição do sistema alfabético.  Ter esse tipo de conhecimento modifica completamente o papel do professor e as propostas que vai realizar com seus alunos.

Uma das ações que ajuda com que as crianças ou jovens e adultos escreva com menos erros ortográficos é o acesso à leitura.  A leitura pode e deve estar presente no dia a dia da escola, dos espaços comunitários.

Algumas experiências em  Paraisópolis tem se mostrado bastante promissoras no sentido de formar leitores e, portanto, contribuir para o avanço da leitura e da escrita das crianças, jovens e adultos. Que tal conhecer algumas delas?

*Denise Nalini é doutora em educação/USP, coordenadora pedagógica do Centro de Estudos Pró Saber/SP e coordenadora dos projetos de arte do Instituto Avisa Lá

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Autor

Pedagoga formada pela PUC/SP e psicopedagoga pelo Sedes Sapience. Formadora da equipe da Dra. Telma Weisz e autora de materiais didáticos e textos relacionados à formação de professores.

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