Erro em cartório impede ex-líder comunitária de se aposentar

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Maria José Clemente, 60, segura a cópia da Certidão de Nascimento (Foto: Francisca Rodrigues)

Maria José Clemente, 60, segura a cópia da Certidão de Nascimento
(Foto: Francisca Rodrigues)

Durante muitos anos, Maria José Clemente realizou um importante papel em Paraisópolis, segunda maior comunidade de São Paulo. Há 37 anos morando no local, ela foi uma das primeiras lideranças comunitárias da região e por muitos anos esteve à frente do “Lar Casa Humilde”, local que servia de creche e abrigo para muitas crianças da comunidade.

Aos 60 anos de idade, dona Maria José vive um drama que iniciou dez anos. Um pequeno acidente, um corte no pé, e não demorou muito para descobrir que tinha diabetes. Por causa da doença, teve que amputar as duas pernas e perdeu a visão de um olho.

Incapacitada de andar, dona Maria não trabalha e não recebe nenhum tipo de benefício do governo, ela depende da ajuda de outras pessoas para viver. Despesas com remédios, alimentação, entre outras, são pagas a partir de contribuições feitas por familiares.

De acordo com o filho de Dona Maria, Sérgio Ricardo Clemente, enquanto a mãe andava, ela conseguia coordenar o abrigo e recebia muitas doações, mas após ter as duas pernas amputadas ela teve que abrir mão de ajudar os moradores da comunidade por não ter condições físicas de tocar o projeto adiante e as dificuldades só aumentaram.

Desde que descobriu a doença da mãe, tenta dar entrada na aposentadoria, mas suas tentativas foram frustradas por um erro do cartório. Ao solicitar a segunda via do documento, descobriu que não era válido. “A certidão de nascimento dela não tem valor para o INSS, pois não foi lavrada no livro de registro”, afirma.

O afilhado de dona Maria também tem tentado ajudá-la de alguma forma, ele foi até o cartório de Capela do Socorro (AL), cidade onde ela nasceu, e em mais quatro cartórios de cidades vizinhas para tentar entender o que aconteceu.

Em todos os cartórios a resposta foi sempre a mesma: a certidão não foi lavrada. O problema, segundo Sérgio, é que eles não recebem nenhum direcionamento ou orientação do que tem que ser feito. Além disso, tem a dificuldade e o transtorno de ter que ir a tantos locais com a mãe, que está impossibilitada de andar. “Nossa locomoção é muito difícil, toda vez que vamos tentar resolver o problema ela tem que ir. Quando chegamos lá eles olham pra ela e dizem que não podem fazer nada”, desabafou.

Após várias tentativas, o filho diz sentir-se muito triste e impotente em ver a mãe nessas condições e não conseguir ajudá-la a conquistar o que lhe é de direito. “É muito triste ver minha mãe desse jeito, ela ajudou muita gente e agora está na cadeira de rodas e ninguém pode fazer nada. A única coisa que ela quer é se aposentar”, finalizou.

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Autor

Francisca Rodrigues é jornalista, repórter do jornal Espaço do Povo, apresentadora do programa Meia Prosa (Rádio Nova Paraisópolis, 87.5FM) e assessora de comunicação do Luau Paraisópolis.

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