Em Paraisópolis, encontro reuniu arquitetos para discutir a densidade urbana no Brasil

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O Van Alen Institute e a Casa de Vidro – Instituto Lina Bo e P.M. Bardi apresentaram na tarde da última terça-feira (03)  “Ocasionais e  Planejadas: Lições Sobre Densidade Urbana em São Paulo”, um Painel de discussão sobre as oportunidades e os desafios da densidade urbana no Brasil, que reuniu arquitetos e urbanistas que atuam em São Paulo, Nova York, Inglaterra, entre outros lugares do mundo.

O encontro aconteceu no Espaço Pipa, em Paraisópolis, e contou com a presença de José Armênio de Brito Cruz, presidente da São Paulo Urbanismo;  Marcos Rosa, curador da 11ª Bienal de arquitetura de São Paulo;  Maria Augusta Bueno, fundadora da São Paulo Lab; Alfredo Caraballo, arquiteto da Allies and Morrison (Inglaterra);  Jing Liu,  arquiteta da S.O II ( Nova York);  Renato Arnelli, conselheiro do Instituto Bardi/Casa de Vidro e Caroline Bueno, arquiteta brasileira do escritório Triptyque. O painel teve como moderadores  Sol Camacho, diretora cultural do Instituto Bardi e diretora do escritório de arquitetura Raddar, responsável  pelo Projeto que Integra Paraisópolis (PIPA), e David Van der Leer, do Instituo Van Alen.

Ocupação dos espaços públicos, mobilidade e infraestrutura foram alguns dos temas abordados no encontro que reuniu, além de arquitetos e urbanistas renomados, estudantes,  ativistas, lideranças municipais, jornalistas, entre outras pessoas interessadas pelo assunto.

Os palestrantes examinaram percepções culturais relacionadas à densidade no ambiente urbano, o acesso à infraestrutura em bairros de alta densidade e a capacidade que a densidade urbana tem de promover identidades e mudanças positivas para diferentes comunidades.

A densidade refere-se  a quantidade de pessoas que ocupam um único espaço. Esta concentração, muitas vezes, pode causar transtornos quanto a mobilidade na cidade.

“Somos quase 21 milhões de pessoas na área metropolitana de São Paulo. A cidade de São Paulo é de 12 milhões de pessoas. Só a parte interna da cidade é seis vezes mais do que Paris”, afirmou Carolina Bueno.

A arquiteta explicou que todos os dias mais de 3 milhões de pessoas saem dos arredores da cidade e seguem até o centro. “É como se você estivesse esvaziado a cidade de Paris e levado todo mundo para o centro.  Esse movimento de 3 milhões de pessoas gera um tráfego intenso”,completou.

A média de tempo que as pessoas gastam por dia no trânsito e de 3 horas. O tempo que  perdem para chegar ao trabalho poderia ser diminuído caso os empregos fossem mais distribuídos e não se concentrassem apenas na região central da cidade.

“Uma São Paulo do futuro é ter  trabalho, pessoas  e dinheiro  no mesmo lugar”, concluiu.

Para o  presidente da São Paulo Urbanismo, companhia pública responsável por projetos urbanísticos da cidade,  José Armênio de Brita Cruz,  no que se refere a densidade,  é entender sobre o que se está falando para poder planejar.

“ Eu acho que nós temos uma densidade populacional  e nós temos outro tipo de densidade e todas são relevante. Nós temos densidade na hora do trabalho. É preciso criar empregos em vários pontos da cidade e também trazer pessoas para morarem perto do trabalho. Não podemos ter  empregos só no centro”, afirmou  o presidente , concordando com a arquiteta.

José Armênio afirmou, ainda, que “o  desafio para a administração pública é construir onde já está construído”, concluiu.

O Conselho Internacional do Van Alen Institute  se reúne duas vezes ao ano . O Instituto colabora  com comunidades, acadêmicos, formuladores de políticas e profissionais em iniciativas locais e globais que investigam rigorosamente os desafios sociais, culturais e ecológicos mais urgentes do futuro.

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Autor

Francisca Rodrigues é jornalista, repórter do jornal Espaço do Povo, apresentadora do programa Meia Prosa (Rádio Nova Paraisópolis, 87.5FM) e assessora de comunicação do Luau Paraisópolis.

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