Busque aí na sua memória e me conte os momentos que marcaram a sua infância.  – Quando faço essa pergunta, a maior parte dos meus pacientes adultos respondem com os olhos lacrimejados.

 

– Quando fiquei doente e minha mãe voltou do trabalho para cuidar de mim. Me senti tão especial! 

 

– Quando estava com medo de apresentar um trabalho na escola e meu pai disse: – Filha, você é corajosa e inteligente, e me deu um forte abraço. 

 

– Quando ouvia as histórias e canções que mamãe cantava antes de eu dormir.

 

– Quando levei uma correção do meu pai pelo mau comportamento na escola e aprendi uma grande lição sobre respeito. 

 

Observem que os momentos mais significativos se referem a presença parental, e não são expressos pelo que os pais proporcionaram em questão de provisão material, apesar desta ser de grande importância. Mas são as lembranças relacionadas à presença afetiva, ao cuidado, amparo, indicação de valor e correção/disciplina, que produzem um marco no desenvolvimento humano.

 

A presença dos pais na vida dos filhos para cumprir a missão da educação não pode ser uma presença passiva, isto é, uma presença onde não há comunicação, intimidade, qualidade, como conversar com o filho, mas não abrir mão do uso do celular, por exemplo. É necessário sim, uma presença ativa. Ativa no sentido de olhar nos olhos, chamar pelo nome, conhecer os medos, as angústias dos filhos, conversar sobre “como foi o seu dia”, ainda que seja caminhando pela rua ou à mesa para uma refeição.

 

A presença ativa fortalece o laço parental e firma memórias que serão orientadoras para a vida. Muitos pais/ mães justificam que o tempo para a presença ativa é muito reduzido e, em muitos casos, quase inexistente por conta da correria do dia a dia, devido a tantas atribuições e responsabilidades.

 

Seguem algumas orientações como caminho para a presença ativa Primeiro, lembre-se que a convivência familiar é insubstituível, portanto, reduza distrações em prol de momentos mais construtivos.

 

Ex: desligue as telas e se una aos seus filhos para fazer as atividades escolares; brinque, entre no mundo da imaginação deles. 

 

Aproveite os finais de semana para tomarem um sorvete juntos caminhando pela praça. Lembre-se que é na simplicidade que residem as maiores belezas da vida. 

 

Papai/ mamãe, guarde isso em seu coração: O valor está na presença e não no que podemos oferecer como presente. Seja o presente do seu filho, se faça presente.  

Evelin Santos  É Psicóloga Clínica formada pela Universidade Paulista (UNIP), e Especialista em Psicologia Positiva e Ciência do Bem-Estar pela Pontifícia Universidade Católica (PUC).

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