Além do medo da nova variante da COVID, moradores de Paraisópolis enfrentam surto de gripe

Filas e demora no atendimento são as principais queixas dos moradores, que aguardam até seis horas para receber atendimento médico

Por Gabriela Marinho


Não importa o horário, quem procurou por atendimento médico nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou na AMA Paraisópolis nos últimos dias, enfrentou filas e demora no atendimento, que segundo os pacientes, chegou a seis horas. A demora é justificada pelo surto de gripe que atingiu a cidade de São Paulo nos últimos dias e que se agrava com a falta de insumos e medicamentos. 

Após sentir febre, dor no corpo e na garganta, Julia Lima, 17, resolveu procurar atendimento médico na AMA Paraisópolis. Ao chegar no local, às 21h do dia 09 de dezembro, deparou-se com uma fila de mais de 70 pessoas, deixando a unidade de saúde apenas às 3h da manhã. “Eu estava passando muito mal e após seis horas de espera para ser atendida, fui enviada para casa apenas com uma dipirona e a orientação de descansar”, explica Julia. 

De acordo com o líder comunitário e presidente do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, desde o dia 09 de dezembro, as UBSs locais têm recebido cerca de 600 pacientes por dia. A superlotação nas unidades tem causado filas longas e maior tempo de espera e, assim como Júlia, outros moradores têm se queixado da demora no atendimento e na superlotação das unidades de saúde, onde manter o distanciamento social é quase impossível, segundo os pacientes, que reclamam também da falta de vacina contra a influenza H1N1. 

Segundo informações da Prefeitura de São Paulo, em 2021, foram registrados seis casos de gripe na região da Vila Andrade, onde está localizado Paraisópolis, que resultou em hospitalização com seis casos registrados de fevereiro a novembro. No mês de novembro, foram abertas 111.949 mil fichas nos hospitais em toda a capital por síndromes gripais e somente nos primeiros quinze dias de dezembro, já são quase 92 mil fichas abertas pelo mesmo motivo. 

A preocupação com o surto da gripe vem acompanhada também do medo de contaminação e proliferação da nova variante da COVID-19, Ômicron, que, segundo a Organização Mundial da Saúde tem se espalhado a um ritmo sem precedentes. Aqui no Brasil, até o momento, 12 casos da variante foram registrados, preocupando médicos e a população como um todo. 

Para o médico Ricardo Vieira, que atuou no serviço de ambulâncias do G10 Favelas no combate à Covid em Paraisópolis durante o primeiro ano de pandemia, o momento é de alerta. Além de redobrar os cuidados com a saúde e higiene, é muito importante que as pessoas se vacinem e continuem a usar máscaras. “Quando você toma o reforço da vacina, você cria mais imunidade. É como a vacina da gripe, que todo ano você tem que tomar para criar anticorpos.”, explica. 

Ricardo destaca também a importância de manter o distanciamento social e a higiene da casa, apesar dos desafios, já que manter o distanciamento dentro das comunidades é mais complicado por conta do tamanho das residências e pelo fato de que muitas famílias são formadas por até sete pessoas. “O uso da máscara é essencial, assim como lavar as mãos, usar álcool e fazer a esterilização dos objetos”, orienta.

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