Da melancolia à comédia: jovens de Paraisópolis mostram a arte de encenar na comunidade

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Publicado no Jornal Espaço do Povo 32

Por Francisca Rodrigues

ciatp

Membros da Cia. TP

Quando Diogo Alves, Cristiane Silva e Marcelo Sousa iniciaram no curso de teatro, há seis anos, não tinham pretensão de se tornarem grandes atores, apenas queriam aproveitar a oportunidade que o Centro Educacional de Paraisópolis estava oferecendo. O que seria um passatempo tornou-se uma paixão e definitivamente transformou as vidas desses e muitos outros jovens da comunidade.

Grupos como Nós Mosaico, Cia. TP, Coletivo Foz de Arte, entre outros, foram formados a partir de encontros realizados no CEU Paraisópolis e hoje são referência de teatro desenvolvido na comunidade.

Com trabalhos distintos, cada grupo tem sua peculiaridade e mostra que os jovens de Paraisópolis são bem decididos e dedicados quando o assunto é teatro. Produzem, dirigem e interpretam, além de criar os figurinos. Mesmo sem ser fomentados, os grupos sempre dão um jeitinho de arcar com as despesas para investir no que acreditam. Utilizam de todas armas para desenvolver um bom trabalho, e o resultado é o reconhecimento nas ruas por moradores que acompanham os grupos.

Criada em 2008 por Cristiane Silva, Diogo Alves e Jefferson Santos, a Cia. TP (Companhia Teatral de Paraisópolis) tem em seu repertório uma série de trabalhos voltados à comédia. Atualmente tem sete integrantes que revezam-se a cada ensaio e apresentação, e se desdobram para conciliar o teatro com outros empregos.

Eles sonham em ser reconhecidos como o grupo de Paraisópolis “Eu gostaria que as pessoas soubessem que existe a Cia e que fazemos um trabalho em prol da comunidade. Eu acho que em um momento isso vai acontecer, mas enquanto isso não acontece a gente vai continuar com o nosso trabalho, vai continuar fazendo o que a gente faz”, afirma Cristiane Silva.

As dificuldades que os atores encontram às vezes é a falta de reconhecimento da própria família. Ainda existe o preconceito sobre o artista, que muitas vezes é chamado de vagabundo. “É um trabalho como qualquer outro. Por que não tem este reconhecimento que outro trabalho tem? Por que eu sou bem mais aceita na família trabalhando como caixa na farmácia, 8h por dia e não trabalhando 15h por dia fazendo teatro?” questiona Cristiane Silva, da Cia. TP.

Eles escolheram fazer o que gostam e muitas vezes reconhecem que não é muito fácil. Diogo Alves, também da Cia. TP, largou a faculdade de direito e um bom emprego para correr atrás do seu sonho, mas como tem que pagar as contas arranjou um emprego em que consegue conciliar com o trabalho que faz.

raiane

Nós Mosaico

Com um formato um pouco excêntrico, o Grupo Nós Mosaico, formado por Raiane Santos e Marcelo Sousa existe desde 2010. Os integrantes do grupo buscam criar uma performance melancólica a partir de poemas. “A base de tudo é poema. A gente lê poema de vários escritores. Em cima deles a gente cria uma atmosfera que nem sempre é o que diz o poema. Mas é o que a gente imagina que dá para chegar às pessoas”, afirma Marcelo.

O Sarau Paraisópolis, realizado todo último sábado do mês, e o Luau Paraisópolis, realizado toda última sexta -feira do mês, são lugares onde os grupos costumam apresentar seus trabalhos.
Preocupados com o futuro dos grupos e artistas independentes, Paulo Fabiano e Adriana Macul propuseram aos grupos criar o Movimento Cultural CRUK para possibilitar a organização e execução dos trabalhos teatrais. A ideia inicial do Movimento era unir os grupos da Comunidade de Paraisópolis para realizações de trabalhos conjuntos, fortalecendo os processos criativos e convivências, estabelecendo trocas profissionais e dando aos grupos autonomia de trabalho.

Desde o Primeiro encontro, em Julho de 2010, no CEU Paraisópolis, os grupos Cia TP e G´JAP – Atual Coletivo Foz de Artes – estiveram à frente da organização de todos os encontros, estabelecendo contato com outros grupos e realizando atividades para o público do CEU Paraisópolis. Este ano, o Movimento foi contemplado pelo programa Vai 2014, da prefeitura de SP, e serão realizados 6 movimentos itinerantes pela cidade, com início no dia 28 de junho, no Sarau de Paraisópolis.

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Autor

Editor do Jornal Espaço do Povo

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