Considerado um esporte de elite, tênis é praticado na rua em Paraisópolis

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Jogar futebol na rua é uma prática muito comum na periferia, mas nas ruas de Paraisópolis outro esporte tem ganhado adeptos. Considerado um esporte de elite que só é praticado, em sua maioria, pela garotada em clubes particulares, o tênis tem despertado cada vez mais o interesse de crianças da comunidade, graças a iniciativa de Rogério Cordeiro da Hora, 31.

Ex-funcionário do Espaço Esportivo Cultural BM&F Bovespa, Rogério ficou desempregado no final do ano passado após encerramento das atividades do projeto social. Porém, toda vez que encontrava um ex-aluno na rua sempre era questionado sobre quando daria aula novamente. “A criançada me cobrava muito na rua. Elas perguntavam quando iriam voltar a ter as aulas de tênis”, Comenta o professor.

Incentivado por amigos do projeto “Faça uma criança sorrir”, que realiza atividades recreativas gratuitas para crianças na Rua Wilson, Rogério decidiu se juntar ao grupo, formado por Lucivaldo Leite, Luciana Rocha, Vitor Hugo Campos, Marcos Damasceno e Márcio Damasceno, e começou a ensinar a criançada da comunidade. Ele afirma que ainda demorou um pouco para realizar a ação porque, como estava desempregado, não tinha condições de comprar os equipamentos necessários.

Com ajuda de amigos, recebeu algumas doações de raquetes e bolas de tênis e juntou R$ 400 para comprar uma rede. Todo domingo, recebe cerca de 30 crianças que participam das aulas. “Trabalhamos com a parte lúdica é mais para a criança ter a vivência com o tênis”, comenta Rogério.

A transformação por meio do tênis
Rogério tinha nove anos quando teve seu primeiro contato com o tênis. Em 1996, conheceu o esporte por influência do irmão, foi ele quem o levou para trabalhar em uma quadra no Portal do Morumbi pegando bolinhas de tênis, antes de se tornar professor. Esta era uma forma que os irmãos tinham de ganhar dinheiro para ajudar em casa. “Meu grande ídolo era meu irmão. Ele virou professor e pensei em ser como ele. Comecei como pegador, virei rebatedor e depois virei professor”.
“Por causa do tênis hoje eu sou um ser humano melhor, conheci muitas pessoas boas e pude aprender com cada uma delas”.

Assim como teve a oportunidade, Rogério quer proporcionar o mesmo para outras crianças e fazer com que elas tenham acesso ao esporte. “Meu sonho é poder abrir um projeto social aqui em Paraisópolis com o tênis. Porque é um esporte elitizado e não é todo mundo que tem acesso”, finaliza.

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Autor

Francisca Rodrigues é jornalista, repórter do jornal Espaço do Povo, apresentadora do programa Meia Prosa (Rádio Nova Paraisópolis, 87.5FM) e assessora de comunicação do Luau Paraisópolis.

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