Beleza Real

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Vivenciamos, atualmente, uma realidade em que se contrapõem magreza excessiva, ditadura da beleza e beleza real.  Pouco tempo atrás, vivíamos uma ditadura na qual as pessoas magras, e somente elas, eram felizes. Hoje, contudo, observamos um ainda lento – porém forte –  movimento concebido, dirigido e administrado por mulheres corajosas que resolveram dar um basta nessa exclusão social. Sem apologia à obesidade e sem críticas às mulheres magras, porque seu biotipo é este e não porque fazem dietas malucas e exageram nos exercícios físicos, essas revolucionárias buscam a liberdade de ser feliz como são, sem lutar contra a natureza do próprio corpo e sua estrutura física.

As modelos plus size do projeto Periferia Inventando Moda (PIM), Mary Maia e Alice Marques. (Foto: David Martins)

Vivemos em meio a imagens de um ideal estético contemporâneo, no qual a mídia exerce um papel preponderante na manutenção desse padrão praticamente “inatingível” de beleza, distante da realidade da maioria da população. O que vemos nas sociedades modernas é uma crescente preocupação com o corpo, com a dieta alimentar e o consumo desenfreado de cosméticos e suplementos.  É uma cobrança constante, feita principalmente ao sexo feminino, para que sejam mais belas.  Mas é preciso não esquecer que foi conquista das mulheres o direito ao voto, trabalho fora de casa e sobretudo os métodos contraceptivos, que provocou a chamada revolução sexual.

Quantas vezes já ouvimos alguém dizer: “ela é linda de rosto” ou “ela é bonita, pena que é gorda” ou ainda “se emagrecesse ficaria linda”. Por que uma mulher não pode ser linda estando acima do peso? Se olharmos para a história, veremos que na Idade Média, a magreza era sinônimo de pobreza e as senhoras da nobreza ostentavam corpos grandiosos, de seios fartos.  Séculos depois, a coisa se inverteu!

Enquanto a moda e os meios de comunicação continuam a reforçar a ideia de que ser magro é tudo na vida, o chamado universo plus size  vem ganhando espaço e mostrando que as coisas não são bem assim. É essencial para o ser humano se sentir confortável em sua própria pele. No entanto, isso pode não ser tão simples, principalmente,  para as mulheres. O padrão de beleza imposto pela sociedade, que exalta a perfeição e a magreza extrema, é inatingível para a maioria delas.

As mulheres crescem ouvindo que devem ser bonitas, magras e delicadas. Porém, quando uma garota entra na adolescência e percebe que não consegue alcançar esses padrões, sua autoestima fica extremamente abalada. Isso paralisa a pessoa, rouba sua confiança e a faz se sentir inferior. Para superar esta situação, e preciso empoderar as mulheres e as fazer ver o valor que elas têm. É todo um trabalho de desconstrução do ideal socialmente imposto (mas inalcançável) para caminhar na direção oposta, para descobrir a própria beleza e, com isso, cultivar o amor próprio. Esse é o objetivo da moda Plus size, cujo intuito é apreciar todos os tipos de corpo e traços físicos individuais. Somos todas e todos diferentes e cada um/a tem seu próprio charme! Isso faz uma mulher se sentir bonita, confiante e segura de si, independentemente de suas medidas.

A beleza não é ter as características socialmente valorizadas e sim conquistar uma harmonia que, por ser individual, é única, ou seja, foge a qualquer padrão. E aqui conta muito mais a personalidade, o jeito de ser, as atitudes do que a aparência física. Isto fica claro e evidente quando uma mulher encontra roupas que a fazer se sentir bem. A moda Plus size consegue isso porque respeita e valoriza o corpo de todas as mulheres, mostrando que são lindas e poderosas!

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Autor

Designer de moda pela Universidade Anhanguera, morador de Paraisópolis há mais de 10 anos, é idealizador criativo do Periferia Inventando Moda. Estilista, já expôs suas coleções em diversos eventos, como Osasco Fashion Week, Interior Fashion Arts, Congresso Internacional de Negócios da Moda, dentre outros.

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