Atlas da Violência: Estudo aponta que 30 de cada 100 mil são mortos no Brasil

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O Atlas da Violência, um estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com base em dados do Ministério da Saúde, mostra que, em 2016, pela primeira vez na história o Brasil ultrapassou a marca de 30 assassinatos para cada 100 mil habitantes.

Em 2016, foram registrados no país 62.517 homicídios, o que equivale a 30,3 homicídios para cada 100 mil habitantes, um número 30 vezes maior que o da Europa, por exemplo. Antes de 2016, a maior taxa havia sido registrada em 2014, com 29,8 assassinatos por 100 mil habitantes.

Nos últimos dez anos, 553 mil pessoas perderam a vida – pouco mais do que a população de Niterói, cidade vizinha do Rio de Janeiro -, vítimas de violência no Brasil, o equivalente a 153 mortes por dia.

De acordo com Daniel  Cerqueira, coordenador do Ipea, o Brasil está entre os 14 países mais violentos do mundo.  “Seria o mesmo que dizer que cai um Boieng 737 lotado todos os dias no país”, exemplificou.

O perfil da vítima de homicídio no país é majoritariamente jovem, homem, negro e de baixa escolaridade. A taxa de jovens por 100 mil habitantes é de 65,5, com 33.590 assassinados em 2016, aumento de 7,4% em relação a 2015. Como retrato da desigualdade racial no país, o estudo mostra que, por ano, 71,5% das pessoas assassinadas são negras. No total, 324.967 mil jovens, entre 15 e 29 anos, foram vítimas de homicídio em 10 anos, ou seja, uma média de 90 jovens assassinatos por dia.

Em 2016, a taxa de homicídios de negros foi 2,5 superior à de não negros (40,2% contra 16,0%). A desigualdade se confirma ainda mais quando analisada em dez anos. De 2006 a 2016, enquanto a taxa de homicídio de negros cresceu 23,1%, a taxa entre não negros teve redução de 6,8%. Outro dado relevante é o número de mortes provocadas por armas de fogo: em 2016, esse número correspondeu a 71,1%.

Sem dados confiáveis da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a África, é possível dizer que a América lidera as taxas de mortes violentas, enquanto a Europa segue o caminho oposto. Entre os 14 países mais violentos em 2012, de acordo com a OMS, 13 pertencem à América – e o Brasil é um deles. “Competimos na América do Sul com a Venezuela. El Salvador e Honduras, na América Central, lideram o ranking”, destaca Cerqueira.

No Brasil, a taxa mais alta é de Sergipe, com 64,7 mortes por 100 mil habitantes. Em Alagoas, a taxa é de 54,2 e no Rio Grande do Norte, de 53,4. No extremo inverso da tabela, São Paulo tem a menor taxa, de 10,9, e é seguido por Santa Catarina, com 14,2, e pelo Piauí, com 21,8.

Nos últimos dez anos, o estado que teve o maior crescimento de homicídios foi o Rio Grande do Norte (alta de 256,9%) e o que mais caiu foi São Paulo (- 46,7%). Apenas sete das 27 unidades da Federação conseguiram reduzir o índice: São Paulo, Espírito Santo (-37,2%), Rio de Janeiro (-23,4%), Mato Grosso do Sul (15,8%), Pernambuco (10,2%), Paraná (8,1%) e Distrito Federal (7,8%). Dos sete estados que tiveram crescimento superior a 80% ao longo dos 10 anos, cinco são nordestinos. Desses, três tiveram altas acima de 100%: Tocantins (119%), Maranhão (121%), Sergipe (121,1%).

 

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