Até quando a comunidade de Paraisópolis vai continuar sofrendo com as enchentes, ameaçando sua saúde e destruindo seus sonhos?

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Publicado no Jornal Espaço do Povo 32

Por Joildo Santos

IMG_5911 (1)Quando chove em Paraisópolis o cenário é sempre o mesmo. Casas alagadas, móveis encharcados e sem condições de uso, árvores caídas e muitos destroços jogados nas ruas. Essa realidade é cada vez mais frequente entre os moradores de Paraisópolis, considerada a segunda maior comunidade de São Paulo.

Inserido no Programa de Urbanização de Favelas, da Secretaria Municipal de Habitação, o projeto do Córrego do Antonico até hoje não saiu do papel. O que inicialmente era um sonho e traria soluções para os problemas de enchentes, hoje é um verdadeiro pesadelo. Basta chover para que muitas casas que ficam próximas ao local sofram as consequências. Entupido, o córrego transborda, levando lixo, destruição e prejuízos a muitas famílias

Tais problemas continuam até hoje porque, diferentemente do que foi proposto na licitação em 2010, as obras do córrego estão paradas. Segundo os moradores, no local nada foi feito, não é possível ver qualquer movimentação, estudo ou execução. A situação continua a mesma.

IMG_5947É importante ressaltar que, com a aproximação do inverno, as chuvas tornam-se constantes. Nesse período, como ficam as famílias cujas casas encontram-se em cima ou próximas ao córrego. O que falaremos a elas? Que conformem-se? Que planejem-se para receber as chuvas porque não sabemos quando as obras serão realizadas? Que mudem de casa e paguem aluguel sem ter condições, ou que permaneçam onde estão e aguardem mais uma destruição? Essas e outras questões são levantadas frequentemente pelos moradores, que, por falta de compromisso da Prefeitura com a comunidade, ficam sujeitos a diversos problemas.

O morador também tem sua parcela de culpa. Muitos deles descartam seu lixo de forma irregular, e quando chove não tem jeito, esse lixo junta-se à água da chuva e invade as casas. Há também o problema das construções em cima do córrego, que dificultam ainda mais a passagem da água. Mas o que fazer se as famílias não têm para onde ir?

Além da canalização do Antonico, a comunidade aguarda também outras obras previstas, como o Parque Paraisópolis, a Escola de Música e de Artes do Grotão, a construção de moradias, entre outras, que até o momento encontram-se paralisadas. Em muitos casos, não sabemos nem quando serão iniciadas.

IMG_5965 (1)Atualmente, temos em Paraisópolis mais de 3 mil famílias aguardando moradia enquanto estão no aluguel social. Há também famílias instaladas em áreas de risco, como a região do Grotão, onde será construída a Escola de Música e Artes. Sem ter condições de morar em outro local, as famílias se vêem sem opção e vivem em condições precárias, sujeitas a desmoronamentos, já que estão em uma área onde uma encosta pode desabar a qualquer momento.

Com a licitação de 2010, milhões foram disponibilizados para as obras de urbanização na comunidade, dentre elas, a canalização do córrego. Até o momento, apenas a região do Ladeirão, que representa uma pequena parte, foi canalizada e não há previsão para os demais locais. A Prefeitura, no entanto, aponta a falta de verba. Mas diante disso nos perguntamos: para onde foi esse dinheiro já que grande parte não foi canalizada?
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E outra pergunta que não quer calar, porque até hoje o Conselho Gestor de Urbanização não pôde cumprir seu papel, no âmbito do Programa de Urbanização de Paraisópolis? A mais de 3 meses os membros da população moradora foram eleitos. Os representantes de organizações sociais, vizinhos e proprietários de terras já foram indicados, alguns a mais de 1 ano, então porque a prefeitura não indica seus representantes e permite que o conselho faça seu papel na construção e fiscalização do programa de urbanização?

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Autor

Editor do Jornal Espaço do Povo

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