Alex Santos: Estilo e autoestima

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Em minha coluna de estreia, gostaria primeiramente de me apresentar: meu nome é Alex, sou estilista, idealizador e diretor do projeto Periferia Inventando Moda e resido na comunidade de Paraisópolis há dez anos. Também gostaria de agradecer ao Jornal Espaço do Povo, nas pessoas da Francisca e do Joildo, pelo convite de expressar um pouco sobre o que penso sobre a moda e sobre o como ela afeta positivamente as pessoas.

O dicionário define a moda como o estilo predominante de roupas ou de comportamentos em uma determinada época. Moda também tem a ver com o universo envolvido na produção das roupas e das ações que divulgam essa produção como os desfiles e editoriais fotográficos. Ao longo da minha vida e do meu trabalho, principalmente no Periferia Inventando Moda, passei a perceber e a dar valor ao quanto a moda pode ajudar a elevar a autoestima das pessoas.

Quando uma pessoa passa a se preocupar com o seu estilo, ela está se perguntando sobre que imagem quer passar ao mundo, sobre quem ela é e sobre que mensagem quer transmitir sobre si mesma para os outros. Muitos jovens procuram o PIM com o sonho de serem modelos, outros maquiadores, outros ainda fotógrafos. Para toda a nossa equipe, é muito nítida a mudança depois que a pessoa passa a participar de nossas oficinas: ela passa a se preocupar mais com a aparência, com o corpo, com as roupas. E no meu entender isso não tem a ver com vaidade ou futilidade, mas tem a ver com a construção de um estilo pessoal, com a construção da identidade pessoal. Ao cuidar de seu estilo a pessoa cuida de si, ao construir seu estilo ela constrói também a sua própria identidade.

É por isso que moda tem tudo a ver com autoestima. O contato com a moda faz com que a pessoa se encontre consigo mesma e comece a investir em si mesma, a se preocupar com sua aparência. E nesse processo ela passa a se conhecer melhor e a fortalecer e expressar uma visão mais positiva de si mesma e uma valorização do ambiente em que ela habita e trabalha, uma vez que as pessoas desses ambientes respondem também positivamente à sua afirmação pessoal. Claro que em alguns casos, para algumas tribos e grupos, a resposta que esperam do ambiente à sua volta é a de choque ou incômodo, como é o caso dos góticos, punks, emos, trans, etc. Mas mesmo quando o estilo pessoal causa algum impacto nas pessoas do ambiente, esse processo também é muito positivo pois trata-se da construção da identidade por meio  da oposição e do questionamento. Normalmente, essa identidade e estilos “rebeldes” passam com o tempo e a pessoa consegue construir um estilo que expresse sua identidade sem a necessidade de causar uma impressão chocante.

Assim, quando você que está lendo estas palavras abrir seu guarda-roupas ou for a uma loja para escolher um look novo, pense sobre quem você é e sobre que imagem quer transmitir. Pergunte-se que mensagem você quer passar com as suas roupas e o seu estilo. Todos os dias podemos mudar, mudar para melhor. Faço votos de que você possa usar seu estilo para expressar ao mundo a mudança para o bem.

 

Foto: José Barbosa

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Autor

Designer de moda pela Universidade Anhanguera, morador de Paraisópolis há mais de 10 anos, é idealizador criativo do Periferia Inventando Moda. Estilista, já expôs suas coleções em diversos eventos, como Osasco Fashion Week, Interior Fashion Arts, Congresso Internacional de Negócios da Moda, dentre outros.

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