A importância da creche na primeira infância

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Graças a Deus! As aulas já voltaram. Dois meses em casa não é um estresse só para os pais ou quem cuida, mas muito mais para as crianças também. Elas Ficam presas em casa a maioria do tempo, sem espaço pra brincar e as opções de diversão podem ser caras e longe do bairro.

Mas tudo bem, pelo menos sabemos que é temporário e elas têm vaga na escola ou creche garantida. E os que não têm? Pra quem isso é uma realidade sem fim ou data fixa para acabar.

Infelizmente, quem sofre mais são os pequenos entre um a três anos que precisam de mais atenção, carinho e não têm como deixar com qualquer pessoa. A mãe, solteira ou casada, precisa trabalhar nessa cidade, que sempre fica entre as mais caras do mundo quando se fala em custo de vida.

Sabendo que tem aproximadamente 44.000 bebês esperando a vaga ainda, apesar da promessa do Prefeito Doria de zerar a lista no ano passado, eu encontrei com a Cisele Ortiz da ONG Avisa La. Este instituto fez muito na historia da educação brasileira e nessa luta em conseguir vaga que é tão disputada atualmente.  Cisele me contou  como a região da Vila Andrade, que inclui Paraisopolis, é o bairro mais afetado por esse problema e que eles ficam preocupados com a má qualidade de alguns convênios que foram transformados de bancos e bibliotecas em creches – às vezes faltando o básico como banheiros. Os números enormes de estudantes é uma preocupação também com quase 600 crianças por creche em alguns casos na Zona Sul.

Até abril de 2017, meus filhos também foram estatísticas nessa história. Já foi notado como as crianças que entram na creche tão tarde podem sofrer problemas de desenvolvimento de suas habilidades sociais, permanecendo em casa por tanto tempo e depois sendo deixadas no desconhecido.

Mas não fique pensando que o exterior é muito melhor nesse assunto. Na Inglaterra, por exemplo, creche para crianças até os três anos é por sua conta dos pais e é bem caro, fazendo muitas mães, como minha irmã, decidir que não vale a pena trabalhar o dia inteiro, recebendo  bolsa para as crianças estudar só meio período fica a melhor opção de um grupo ruim.

Tenho família em Portugal também, onde a lista de esperança é da mesma forma. Muitas famílias se esforçam o máximo para  pagar particular por que quando, finalmente, conseguir a vaga, a creche pode estar lotada e as crianças sem a atenção necessária.

De volta ao Brasil, espero que este ano traga alívio para todos que esperam uma boa notícia, uma ligação importante. Mas também nossos filhos não são peões no xadrez e não devem ser colocados em qualquer lugar, entre o meio de um jogo político para manter as aparências. Eles merecem o melhor, nestes, os anos mais importantes do início da sua vida.

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Autor

Jornalista e professor de inglês do Sheffield. Nasceu na Inglaterra e mora em Paraisópolis desde 2014.

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