Rede Comumunio usa o ”dom” como moeda de troca

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“Qual é o seu dom?” é a pergunta que Ivan Nepomucemo faz ao abordar pessoas com o objetivo de recrutar novos voluntários para a Rede Communio. Uma, duas ou três horas. Não importa quanto tempo o voluntário vai dedicar ao próximo, o importante é fazer parte da rede e ajudar quem precisa.

Com princípios na igreja católica, a Rede Communio foi criada em 2013 pelo empresário Daniel Domeneghetti. Hoje, conta com cerca de 350 pessoas cadastradas, que oferecem diversos tipos de serviços, que vão desde atendimento psicológico até aulas de zumba.

“Só neste ano foram realizados 837 atendimentos até a primeira quinzena de outubro”, orgulha-se Ivan Nepomucemo. O gestor operacional explica que todo o processo de organização, contatos e cadastros são realizados por uma equipe composta por ele, Luiza Nascimento Lima, coordenadora de atendimento, e Cristian Martins de Souza Leon, Coordenador de suporte.

A rede colaborativa de troca de serviços funciona da seguinte forma: Uma pessoa se candidata para ser voluntário em uma determinada área, não importa qual. Esta mesma pessoa pode se tornar beneficiário e escolher entre os diversos serviços que são oferecidos, como dentista, ortopedia, pedreiro, cozinheira, jornalista, publicitário, que podem ser realizados na sede da Communio ou em um espaço negociado com os envolvidos. As aulas de zumba, de ginástica e de inglês são realizadas no prédio do Cáritas Santa Suzana, local onde também fica a sede da rede.

Ao se cadastrar no site, o usuário informa quanto tempo deseja dedicar ao serviço prestado. De acordo com Ivan a ideia é que quem participa da rede tanto ofereça quanto consuma serviços nela disponibilizados. A troca dos serviços acontece de acordo com a demanda e não, necessariamente, precisa ser para a mesma pessoa que o atendeu.

“O beneficiário automaticamente entra como voluntário para ajudar o próximo. Não importa qual a função que vai desenvolver. Não importa se não tem formação. A pessoa pode arrumar uma casa, consertar alguma coisa. É o dom dela que vai usar para ajudar o próximo. Se vai ser ativada, ou não, vai depender da demanda”, explica Ivan, que cita um caso de um pai que solicitou um psicólogo para o filho e se voluntariou para colocar pisos. “O atendimento aconteceu e, dois meses depois, um voluntário solicitou o serviço e se tornou beneficiário”.
A fonoaudióloga, Danira Tavares, uma das voluntárias, dedica seu tempo livre ao atendimento às crianças com dificuldades de leitura e de fala.

São oferecidas seis sessões para cada paciente. “Eu gosto muito de ajudar as pessoas”, afirma Danira, que acredita que esta é a forma de devolver à sociedade o investimento que teve em sua formação em fonoaudiologia, em uma universidade pública.

Há um ano prestando atendimento na Communio, a psicóloca Shirlei Aparecida Lamberti Amado já era voluntária na Ong Cáritas Santa Suzana quando ficou sabendo da rede, por meio de uma amiga. A psicóloga oferece oito sessões por paciente e em casos que necessitam de mais tempo, Shirlei auxilia no encaminhamento para unidades de saúde que fazem atendimento gratuito ou realiza o chamado pacote social, em que o paciente paga um valor acessível.

Entre as ações da Communio também estão o Núcleo Esperança nas Lágrimas (NEL), que oferece atendimento gratuito com psicólogos voltado para pais e mães que perderam os filhos, oportunidades de empregos e parcerias com empresas que oferecem serviços a um custo mais baixo. Para utilizar os serviços da Communio, basta se cadastrar no site.

 

 

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Autor

Francisca Rodrigues é jornalista, repórter do jornal Espaço do Povo, apresentadora do programa Meia Prosa (Rádio Nova Paraisópolis, 87.5FM) e assessora de comunicação do Luau Paraisópolis.

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